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sexta-feira, 16 de março de 2018

5 coisas (ou mais) que "estranhei" nas escolas de Portugal

março 16, 2018 2 Comments



Quando se muda para um outro país com crianças, a adaptação ao ambiente escolar é com certeza uma das maiores preocupações. “Será que o meu filho vai se adaptar?”, Será que vai fazer amigos?”, “ E se sofrer preconceito por ser estrangeiro?”. Essas e outras perguntas são muito frequentes na cabeça de nós pais, principalmente na minha de super neurótica mãe dramática.
A verdade é que eu estava muito ansiosa e preocupada com esse início pois só pensava na "graaande mudança de ritmo e rotina que aconteceria na vida dele".
 Mudamos para um outro país, era uma escola completamente nova e diferente, nova professora, novos amigos e "uma  quase nova língua". Ó pobre criança! 😅
Eu costumava recordar com ele dos bons momentos vividos na escola anterior, os amigos e as atividades que ele fazia por lá. Para mim, falar sempre de forma positiva desse prepará-lo para sua nova vidinha por aqui. Mas eu tentava de tudo mesmo era não projetar a minha ansiedade nele. 

No fim, o primeiro contato dele com a escola foi ótimo e rapidamente ele já estava inserido no novo contexto escolar que tanto me preocupava. É claro que cada criança reage de uma forma mas de uma forma "quase geral" o novo mesmo está nos nossos olhos. Então é claro, que a maior adaptação, mais uma vez, foi toooda minha. 
 E é sobre isso que eu vim falar. Vou contar aqui no post um pouco do que descobri de diferente (PARA MIM) nas escolas em Portugal (Braga, cidade que vivo), além de relatar todas as "bolas foras" que dei por não estar acostumada com essas "novidades" que a vida acadêmica do meu filho me proporcionaria.

1 - Crianças no infantário estudam em turmas mistas
Aqui em Portugal, o aluno tem a obrigatoriedade de frequentar a escola a partir dos 6 anos de idade mas é muito comum que os pais que trabalham coloquem seus filhos em um infantário logo cedo, e o que acontece? As creches, infantário ou creche-escola formam turmas mistas (idades variadas) para um ensino compartilhado. Bem, eu não sei se é em tooodas as escolas do país, mas as cinco que visitei tinham esse mesmo método, por isso falo do que vivenciei.
Eu confesso que, de início, isso me causou um certo "estranhamento". Perguntas como "Será que ele vai regredir?" "Como vai ser o desenvolvimento dele com esse método?" pairavam na minha cabeça.
E foi só durante a primeira reunião dos pais que consegui entender melhor e enfim visualizei um pouco mais do que seria esse "tempo dele na escola" e foi aí que fui me acostumando com a ideia.
A educadora, na época, frizou muito sobre ser tempo de sociabilizar e brincar para eles, o que de fato fazia todo o sentido na nossa situação já que  ainda passávamos pelo período de adaptação com o novo local que vivíamos.
 Sem falar que desde então observo nele um sentido de responsabilidade com crianças mais novas que ele. Um "ensinar" e um "ajudar" o amiguinho mais novo que não era de costume antes. Tanto que seus melhores amigos na escola tem menos idade que ele e fazem dele um "amigo exemplo". É a coisa mais linda! Uma face que ainda não conhecia dele e tenho achado ótima.



2- Não tem material escolar individual
Antes mesmo da primeira reunião escolar, eu já sabia que lista de material era algo bem singelo aqui. O que me pareceu ótimo, porém não me segurou de comprar umas coisinhas para ele, não é mesmo? NÃO. 😏
Então, tô me perguntando até hoje pq eu não esperei a tal reunião. 😒
A verdade é que não é que a lista seja singela, ela SIMPLESMENTE NÃO EXISTIA. Mais uma vez repito que isso pode variar de escola para escola, mas a maioria nesse período não se preocupa muito com material escolar individual do aluno mesmo.
No meu caso foi assim: no dia da reunião, eu ouvi da educadora a seguinte frase "todo material que usaremos a escola tem. Recebemos da junta e se for preciso algo durante o ano informamos depois". 
OI?? Todo? Pensei eu. Nãao, não é possível. Nem uma resma de papel? Canetinha com 12 cores? Lápis de cor JUMBO (hahaha, brincadeira)?
Vaai, o básico pelo menos, uma canetinha com teminha, lapis de cor, lápis de escrever, borracha fofinha e estojo eu vou comprar né. 
COMPREI.
E mais uma vez eu ainda me pergunto o porquê dessa mania.😏
Eu sei que ele levou o material que eu comprei por UMA SEMANA e voltou intacto da escola. Eu persisti. INTACTO AINDA.
Até que meu filho virou e disse "mãe, eu não uso nada meu na escola. Não pode. Tem que ser o da escola."
OK, estojo lindo com teminha fofo fica em casa agora. Ponto. Aprendi.



3 - Não tem agenda escolar
Sabe aquela comunicação com a escola, os recadinhos de reunião, das festinhas, algumas atividades extras, um comportamento estranho do seu filho ou até o surto de piolho? Não vem na agenda.
NÃO - TEM - AGENDA.
É que a maioria dos recados são passados para as crianças. Uma forma de passar responsabilidade e os tornarem mais independentes. TENDEU?
(E pensar que eu até hoje esqueço de dar recados para as pessoas.)
Eles também informam algumas coisas na hora de levar ou buscar a criança (principalmente quando você pergunta rs) ou eles mandam uma folha de recado solta que se perde na merendeira do seu filho. Quer dizer se perdia, pq eu aprendi a olhar a bolsa de comida toooda quando ele chega.
 Na bolsa de comida sim, no próximo item eu explico. 



4 - As mochilas ficam na escola
E por falar em recados perdidos na merendeira, chegamos ao ponto 4. Mais uma vez eu comprei tudo combinandinho para ele ir para escola, mochila que combina com merendeira, com o copinho, potinho pro lanchinho e blablabla. 
Primeira semana de aula: "Ué, cadê sua mochila?" "Tá, na escola, junto da minha bata. Ela fica lá" OK, mais um novidade para anotar.
Pois é, de segunda a sexta (as vezes fim de semana, quando não precisa colocar algo para lavar), ela fica na escola. 
E o que tem nela? Livros, cadernos, agendas? Não. Roupas para o caso de uma troca, quando ocorre aqueles "acidentes básicos" que toda criança costuma aprontar. E SÓ. Ele não vai com mochila, merendeira, tooodo fofo para escola mais. Entenda e aceite, Michelle.
Grata.


5 - Os lanches são "sugeridos" pela escola
No dia da reunião eu também fiquei sabendo qual lanche mandar para o meu filho. Sim, quem falou que tem o dia daquele biscoito recheado ou salgadinho? Tem não. (Eu sei, que bom né. Desculpa mundooo!)
No livrinho que recebemos vinha escrito, recomenda-se pão, frutas, biscoitos (tipo Maria) e iogurtes. Organizados pelas horas dos lanches e tudo. Poonto para eles! E um choque de realidade nos meus costumes alimentares nada questionáveis e mais um tapa para eu aprender a cuidar melhor da alimentação do meu filho. Valeu Portugal!
Ótimo né? Também achei. 
Mas eu confesso que as vezes tento variar com uma coisinha aqui e outra ali. Calma, só rola um "cream cracker" DE-LI-CI-O-SO de vez em quando tamém! rsrs. 
Todo dia vai quase a mesma coisa, juro. 
Uhum, eu ainda tenho muito que aprender, ai ai. 😕


** 6 - Ah ainda tem o fato das crianças não usarem uniforme e sim uma bata beeem, digaaaamos, huuuuum...não muito bonita. FALEI! 😅
Meu filho fica lindo? Sim, claro. 
Mas eu estranhei no início sim e ri um pouquinho também pq a maturidade ficou toda no meu filho. Hoje eu amo aquela roupinha e adoro vê-lo saindo da escola com a batinha. Tudo é uma questão de costume e entender que faz parte.

** 7- E por fim.... tchan tchan tcharãaaa....Meu filho não chama mais ninguém de tia na escola. 
"De quem você mais gosta na escola" "Fulana"... "Qual o nome da moça do almoço?" "Fulana"... 
Em pensar que no Brasil a gente, já barbado, chama até a moça do cachorro-quente que nunca vimos na vida de Tia.

E vocês, gostaram de todas as "coisas novas" que as escolas daqui tem? Curtiram de cara ou estranharam um pouco de início, assim como eu? 
Tiraram de letra? 
Me contem aí.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

10 coisas que aprendi morando fora do país

fevereiro 15, 2018 0 Comments

Nesse mês de fevereiro, completei 10 meses morando fora do Brasil. Pra mim parece que já faz uma eternidade. Não sei como explicar como o tempo passa tão rápido e nem percebemos.
Mas bem, a verdade é que é impossível viver essa experiência de morar fora, com suas vantagens e desvantagens, e não passar por muitas transformações. Nessa caminhada longe, uma simples convivência nos ensina um monte de coisa e a sensação é de que há sempre mais por vir.

Morar fora é um aprendizado constante e é por isso que resolvi publicar hoje 10 coisas que aprendi com a minha decisão de vir morar em Portugal.

1) Aprendi a viver minha vida. Já tinha ouvido dizer que não existe nada melhor do que sairmos da nossa zona de conforto ( viver na mesma cidade, bairro desde pequeno, perto dos amigos, da família), para crescermos de verdade. Comigo foi bem assim. No Brasil estava sempre rodeada de gente, tinha ajuda por todo lado, não precisava me preocupar com algumas coisas e deixava muita vezes o controle do que deveria ser feito por mim nas mãos de outras pessoas. Sair da "bolha" te faz perceber que temos muito que aprender, a fazer por nós, a quebrar a cara, e que o "se virar sozinho" é de fato SO-ZI-NHO. E que isso é bom e faz bem. Ah e ensina muito.

2) Aprendi a desacelerar. No Brasil, eu tinha pressa para tudo. Nunca gostei de esperar: eu como correndo (mesmo não tendo nada para fazer depois), falo e ando rápido e sempre tive muitas impaciência quando o atendimento em algum lugar era demorado. Até vir para cá e perceber que o ritmo de vida é outro. Sim, o garçom as vezes demora cinco minutos pra vir atender mesmo, outros cinco pra trazer o café, mais cinco para trazer a conta e nem sempre é mal atendimento. O-K! Respira e curte o momento. ( Ta bem, desacelerar ainda é um aprendizado para mim.)

3) Saber dar tempo ao tempo. Olha ele aí de novo (TEM-PO).Como falei no item acima, a pressa sempre me acompanhou. Além do corre-corre do dia a dia, eu tenho pressa de fazer e acontecer. Preciso ter tantos objetivos pessoais completos para ontem, mas morar no exterior me fez revisar conceitos e expectativas. Nem tudo é tão rápido quanto a gente gostaria. Prioridades precisam ser prioridades mesmo. Ao mudar de país, a vida tem uma espécie de corte, tudo é um começar do zero.
É preciso acreditar no destino e ter uma dose extra de paciência para aceitar que nossas exigências não vão ser cumpridas no tempo previsto (por nós) e confiar que as coisas aos poucos vão se encaixando de um modo que tenha sentido.

4) Dinheiro não é tudo. Claro que muita gente vai dizer que é fácil falar que dinheiro não importa tanto quando se tem saúde e educação gratuitas e de qualidade. Mas é aí que tuuudo faz diferença. Esse é o ponto que mais te deixa tranquilo quanto a viver com o suficiente para ter uma vida mais calma e com capacidade para aproveitar mais e o melhor dela.
Aqui, por exemplo, há muitas atividades culturais gratuitas e há parques e diversas iniciativas que acontecem nas ruas ou em espaços fechados, mas ainda assim acessíveis.
Não tem aquele excesso de ostentação que estava acostumada a ver no Brasil, principalmente com que mal tinha dinheiro. A sensação que tenho é de que lá trabalhamos e nos estressamos tanto, mas tanto que temos que usar o dinheiro da forma mais "atrativa", o que vira consequentemente uma ostentação sem freio. Tem que se ter dinheiro para ir no melhor restaurante, na balada do momento, ter o celular que acabou de lançar e etc. Aqui, a ideia de felicidade está muito mais relacionada a coisas simples, como um dia de sol no parque (principalmente quando se tem tanto frio rs), um café no fim da tarde, poder comprar aquele vinhozinho (de 2 euritos) para degustar e curtir muita, muitas atividades pela cidade.

5) Aprendi a ser mais confiante. Morar fora do nosso país é um teste diário de confiança. Nos vemos em situações na qual tiramos força e coragem que não sabemos de onde. Para mim tem sido um degrau de cada vez para muitas coisas.  Tem o medo do novo e do desconhecido, a falta daquela "ajudinha" familiar, são tantas coisas. Os desafios chegam e é preciso encarar e entender então que querer é poder. Muitas das vezes precisei me redefinir. Tanto nas relações, como comigo mesma. Além disso aprendi a me preocupar menos com que os outros pensam de mim.

6) Estrangeiro é estrangeiro e sempre será. Não importa o que seu documento diga, quantos direitos iguais vc tem com os nativos do país, você não nasceu aqui e trás(para sempre) algo do seu país de nascença que vai te "diferenciar" deles, nem que seja aquele leve sotaque rs. E isso não precisa ser algo negativo, mas sim acrescentado para a convivência. Pq levar a a mal caso se refiram a você como a "brasileira", a "portuguesa", a "japonesa"?! Na loja que trabalhei eu era a única brasileira, e toda vez que queriam lembrar da vendedora aqui era a primeira coisa que se falava "ahh a Brasileira". Ora, é tão óbvio e tão prático tmb. É claro que existe a forma pejorativa da palavra mas nesse aspecto o melhor é ignorar mesmo.

7) Aprendi a ser mais tolerante e mente aberta. Conviver com outras culturas exige, mais do que nada, respeito mútuo. O que é valorizado numa cultura pode ser ignorado em outra. E isso é muito bom pra perceber que o valor das coisas é relativo. Mas criticar é sempre mais fácil, já que tentar entender exige tempo e mente aberta.O choque cultural vai acontecer diversas vezes. Prepare-se. A comida é diferente, as piadas, as referências culturais, tudo é bem diferente. As pessoas com quem convive agora não cresceram vendo os mesmos programas que você, o Faustão ou o Sílvio Santos não são os alvos de chacotas e reclamações dele - e isso faz muita falta na hora de conversar.

8) Misturar línguas é normal. Sempre achei que isso era frescura de quem morava fora um tempo e queria se mostrar, mas não é! hahahaha. Cada vez me vejo “cheia” de expressões e palavras que uso diariamente no português de Portugal. Falo os dois ao mesmo tempo:  tem dias que falo mais com o jeito daqui, outro dia ja to toda patriota. Em menos de 2 minutos eu peço para pegar meu "celular" e logo depois peço para colocar o "telemóvel" no lugar de novo. Uma bagunça total!

9) Eu tenho que me adaptar ao mundo, não o mundo a mim. Pois é, eu estava acostumada a ir sempre no mesmo mercado perto da minha casa, com tudo que conhecia e sempre comprava e em um belo dia eu entro e tá tudo diferente, as embalagens, as marcas, o tipo de comida, as pessoas, o dinheiroooo… haja informação!! Como assim aqui não tem nescau, não tem fandangos, linguiça calabresaaa...vou morreeeeer! Opa, pera, é outro país. O que eu esperava? Um Brasil dentro de Portugal só pq eu to aqui?? Ele não tem que mudar pq eu cheguei, eu preciso mudar e me adaptar pq resolvi está aqui. Sim, eu sei, é um grande exercício de desapego (mas ta aí algo que estamos acostumados a fazer depois que se resolve sair pra conhecer o mundo), você sente falta de coisas que nem imaginava que iria sentir falta algum dia. Mas não tem jeito, faz parte da adaptação do mundo que você escolher viver.
10) Ter orgulho das minhas origens. Normalmente, quando falo que sou brasileira, as pessoas me tratam muito bem,  além de me perguntarem as coisas básicas do Brasil (Copacabana, novelas,carnaval, violência). Mas o bacana é que a recepção aos brasileiros costuma ser positiva sim. E eu fico muito orgulhosa. Sei que o meu país está longe de ser perfeito e eu reclamo muito dele tmb, antes mesmo deles falarem ja to listando tudo de ruim rsrs
Mas a verdade é que nunca pensei que fosse me sentir tão emocionada ao ouvir uma música que faz lembrar o país, um costume, uma gíria, um sotaque na rua. Todo povo tem os seus encantos e você vai descobrir muitos nas pessoas que agora vão ser os seus novos amigos e colegas. Mas aquele gostinho de saudade, empatia e amor pelos nossos vai ser sempre maior do que tudo que fizemos por aqui.

Agora eu quero saber de você que mora no exterior: concorda com algum ponto? O que mais aprenderam por aí?


↠ Guia para visitar  Porto em 2 dias
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↠ Mudei para Portugal. E agora??!!
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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

10 coisas que aprendi (ou não) com o Inverno em Portugal

fevereiro 08, 2018 0 Comments


Como todo brasileiro eu estava bastante curiosa para saber como era o inverno Europeu, ao mesmo tempo que tinha medo por não saber se estava preparada para enfrentar o frio daqui. Eu não estava muito acostumada a sentir frio, principalmente por ter vindo do Rio de Janeiro, em que a "estação fria" dura alguns dias e a mínima não passa muito dos 18º.

Hoje, depois de passar alguns meses (parece 1 ano já rs) no inverno daqui, eu confesso que tem sido uma adaptação, muitas vezes, sofrida. Não que o frio aqui em Braga não seja suportável, dá para passar tranquilamente em comparação a outros países da Europa (pelo que sempre me dizem rs), mas sim, esse tempo pode ser chato, muito chato, daqueles que não te dá vontade de sair de casa.
E mesmo parecendo bem exagerado tudo isso, uma das coisas que eu sempre ouvia e lia é que o inverno causa uma certa "depressão" nas pessoas, especialmente naqueles dias cinzentos e de chuva. Eu concordo e comigo sempre foi assim (antes mesmo de conhecer o inverno daqui), me bate um desânimo e uma nostalgia as vezes. É tenso. Eu, que eu nunca fui uma fã de dias frios sabia que essa seria uma época de grande adaptação e obstáculos para mim.

Aqui em Braga, o clima já começou a ficar frio no meio de novembro, muito embora o inverno só tenha chegado no meio de dezembro. Foi no meio do outono que as temperaturas começaram a baixar para 15, 12º e chegaram até a 10º. Em novembro e especialmente em Dezembro, o normal eram dias com mínimas abaixo dos 9º C. Com toda essa mudança brusca de temperatura que peguei, já que cheguei aqui em pleno abril, com os dias abrindo as portas para o verão, eu venho cada dia aprendendo a conviver da melhor maneira possível com essa nova realidade, uns dias amando e outros odiando. Faz parte.
E em meio a essa oscilação diária venho aqui para falar um pouco sobre os aprendizados (nem tanto) que tive ao viver essa época tão amada (por poucos) e odiada (por tantos) pelas pessoas por esse mundo afora. 

10 coisas que aprendi (ou não) com o Inverno daqui

1) Roupa para sair é quase uma armadura 
Não importa se eu já saí milhões de vezes aqui, toda saída que faço me sinto a exagerada quando vou me vestir. E devo ser um pouquinho mesmo, mas a verdade é que todas as vezes que eu cismava em tentar ser menos frienta eu me arrependia. Por isso, vale a pena sim, vestir uma segunda pele (calça e camisa que se coloca por baixo das roupas, de preferência térmica).Por cima da segunda pele é bom uma camisa de mangas ou um casaco mais leve e só então o casaco de inverno. Esse último casaco vai ficar melhor se for aqueles impermeáveis, a chuva e o vento daqui são um dos grandes vilões na hora de pensar em sair.
 Não esqueça dos acessórios. Lembre-se do gorro, do cachecol e das luvas! Mesmo quando você achar que não vai precisar de algum deles, é bom ter sempre na sua bolsa.


2) Usar luvas
E por falar em acessórios, tem a luva.
Eu sempre achei linda aquelas pessoas com luva, até precisar usar ela no meu dia a dia. 😏
A verdade é que você não está acostumado a usar luvas e a sensibilidade com ela fica bem diferente. Ai, é um saco.
É difícil atender uma ligação,  tirar uma foto, fechar ou abrir o zíper da bolsa, da calça.
 Tenta só apertar o botão na tela do telefone. Não vai funcionar. Aí você tira rapidinho para fazer as coisas básicas e no fim a mão tá congelando e ela perdeu toda a sua função.
Eu quase nunca uso luvas...mas o pior é que sempre me arrependo por não está com elas.



3) Conviver com os choques térmicos
O frio tá de acabar com a coluna na rua e de repente você entra em um estabelecimento comercial e sente aquela baforada quente do aquecedor. É um extremo desequilíbrio entre o frio e o calor. Cuidado, pq não há saúde que aguente. Sempre me aconselham quando entrar em ambientes fechados, tirar o casaco. Eu sei que às vezes é difícil, a gente está com frio e resiste à ideia de tirar o que nos esquenta naquele momento mas a verdade mesmo é que é bem mais rápido o seu corpo aquecer sem tanta roupa dentro de um lugar quente, sem falar ainda que você não corre o risco de depois de tá quase suando precisar encarar o frio de novo.


4) Cuidar da pele
Se tem uma coisa que nunca me preocupei nesses 30 anos de vida (desculpem dermatologistas, eu sei que sou muito relapsa mesmo) foi com cuidados com a pele. Eu até usava hidratantes no corpo mas nunca tive um ritual para isso. Usava sempre que lembrava, que ia sair ou quando (e principalmente) as pernas iam ficar de fora..enfim, de forma bem aleatória mesmo.
Mas aqui não, nesse inverno não!
 A verdade é que como o frio, a nossa pele é a primeira a sentir e ainda tem alguns pontos mais sensíveis, como as mãos. Mesmo com luvas (aff), acho que nunca usei tanto creme de mão na vida como agora.  Aonde eu vou, levo na bolsa um creme específico para hidratar elas e para o corpo até durante o banho eu uso. Depois, neeem se fala.
Ainda tem para o rosto e aquele hidratante para os lábios. Que diferença. 



5) Consultar a previsão do tempo antes de sair
Vai chover? Tem muito vento? 
Essas são as principais informações que eu sempre preciso saber antes de começar a escolher a armadura do dia, ops, a roupa que vou sair. Ah, tem aquele termômetro caseiro, que eu dou uma olhadinha toda hora. Isso também ajuda bastante. E aquele aplicativo de temperatura instalado no celular? Não vivo sem.


6) Lavar louça ou tomar banho dá um ânimo a mais 
Pode parecer estranho (e é mesmo) mas aquela aguá quentiiinha na hora de lavar a louça facilita os afazeres da casa depois, o corpo fica mais quentinho e você consegue organizar sua vida com muito mais disposição. Parece não ter muita lógica, mas fazer o que, dá certo comigo.
 Sim, eu nunca pensei que iria dizer isso, mas eu gosto de lavar louça aqui, no frio. (Palmas!!)
E o banho é a mesma coisa... quando bate aquela preguiça da vida, para dar aquele ânimo  eu tomo logo um banho quente e faz toda a diferença. O difícil é só começar o banho e depois sair dele.
Ah essa parte do banho não conta muito para quando você vai sair de casa logo, claro. O ideal é tomar banho bem antes, pq de choque térmico já basta aquele do item 3.



7) Um cômodo da sua casa é suficiente para viver
Já li em muitoslugares que as casas em Portugal não tem muita estrutura para aguentar o frio no inverno. Pois é, sinto isso na pele. Aqui não temos aquele aquecimento na casa toda, então vivemos com aquecedores elétricos mesmo. Até aí beleza, o cômodo escolhido fica delicinha e a gente vive de boas, até queeee .... bate aquela vontade de ir no banheiro e você lembra que até chegar la tem um corredor frio e o próprio banheiro, que tá no clima ambiente tmb.
 A vontade que eu tenho é de andar com um aquecedor portátil pra onde eu for (será que existe um?). Tô pensando até em comprar um frigobar e colocar na minha sala, assim nem na cozinha vai ser preciso ir.  😂



8) Sol não é sinônimo de quentinho
Se você é como eu e acha (no caso, achava né) que só porque o sol apareceu não está tão frio assim, esqueça. Triste ilusão é entender que ao ver, pela janela, um dia lindo lá fora, o frio tá mais ameno. É cilada, Binoo!
Já cansei de pensar assim: Ai que bom, solzinho!  Enfim eu posso sair com menos casacos hoje!" E ao sair de casa, perceber que o sol é só um enfeite no céu. 😓
Acredite, pode estar tão frio quanto o dia anterior ou até mais gelado ainda.



9) Café é sobrenome de português (e meu tbm)
Se no Rio de Janeiro, principalmente no subúrbio de onde eu vim, boteco é aquele lugar que você encontra em cada esquina. Aqui é a cafetaria. Em todo canto, a qualquer hora, você pode encontrar um lugar para tomar aquele cafézinho. Se antes de vir para cá eu já considerava que tomava muito café, aqui, é tipo água. Nem o chocolate quente é tão gostoso como aquele cafézinho para esquentar nos dias frios daqui.



10) Dá para ser feliz com o frio (não todos os dias)
É árduo, mais dá para viver.  
No fim, os dias de sentir o rosto dormente de tanto frio e o vento que te faz lacrimejar estão próximos de acabar. E aí vem a primavera, o clima fica mais ameno e logo logo o verão de novo. São 3 meses looongos que passam. E pasmem, vai até bater saudade de acender a lareira, colocar aquela roupa mais chique que você só usa em um dia frio, poder sentar naquele restaurante todo no clima, com fogo para aquecer. 
E aí vai começar a época de reclamar do calor, do suor, do sol quente na cabeça..e por aí vai.  




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