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quinta-feira, 12 de abril de 2018

Mudar de país: 1 ano dessa nova experiência

abril 12, 2018 3 Comments


Há um ano eu chegava em Portugal com duas malas de roupa e uma de brinquedos para uma nova etapa de vida. Eu não conhecia Portugal até então e foi assim, meio que no escuro que desembarcamos, eu e meu pequeno para o encontro do marido (e pai) que já estava aqui, para juntos seguirmos nessa nova página de nossa história.

Ah, e dessa história se tem tanto para falar. Foram tantas experiências, graandes aprendizados, muitos altos e baixos que eu vou aproveitar esse post de celebração de um ciclo que se fecha para relaxar e falar de coisa boba mesmo, mas que eu me divirto muito por aqui, sem qualquer maturidade ainda para lidar. 

Siiim, vamos falar mais uma vez das nossas diferenças línguisticas, tão sutis mas que sempre nos pega despercebidos no dia a dia por aqui. Pelo menos a mim. 😊

 Bem, vou nomear então esse post como:

"10 palavras do Português de Portugal que te dão a impressão que só são assim para enrolar a sua cabeça de brasileiro"



SuMo é o mesmo que SuCo!
Um M e eles não entendem muito bem quando falamos essa palavra. 😓😒
Pq um M de diferença, oq fez ter essa diferença láaa no passado???
Juro que as vezes fico me questionando coisas tão bobas como essa. 😅
Pra mim, a unica explicação é ser uma pegadinha para nós mesmo. Aháa, achou que ia tirar de letra a língua né? Senta e segura esse M aí, tá bem? rs


E o alfabeto? 
Vamos lá! A,B,C,D,E,F, G (leia-se Guê),K (leia-se Kapa). OI?! COMO?!
Tô até agora tentando entender esses dois aí! E o melhor (leia-se pior), é que eles sempre aparecem para me lembrar que eles são assim mesmo.

Qual seu email? blablala@GUEMAIL.com 
Oi, a loja está na promoção? 
Sim, todas as peças com o Kapa na etiqueta. Ah, claro, a letra K = KAPA.
Aqui Limão é Lima.
Simples. Tira o "Til "e o "O", ok?  
E é isso.
E chupa essa manga, mesmo.



Eles chamam o mouse de Rato. 
Traduziram?
Traduziram.
Pq?
Pq sim.
 Pergunta muito não.😀

Na sala de aula, a professora diz:
"Passa o rato em cima do link".
E você tem que achar isso normal e ponto. 
Mas a verdade é que eu penso: "Meu Deus, como é difícil ter maturidade para viver aqui. "😷


Ficou sem dinheiro por aqui. Tá afim de sacar um dinheiro? Fala isso para eles não, pq eles vão ficar com os olhos arregalados, esperando vc jogar dinheiro pro ar.
Aqui se fala Levantar dinheiro. Sacou? 😏
Uhum, eu sei que vc ta imaginando o mesmo que eu imaginei quando soube que era "levantar", mas pula essa parte e aceita só, tá bem? É o país deles, eles chamam como quiser. rsrs



Ahhh esse é o que mais ouço do meu filho
"Mãe, hoje eu me magooei na escola". 
Magoar é o mesmo que se machucar. 
"Desculpa, te magoei?", sempre que eles falam isso eu já dramatizo dentro de mim uma cena de mágoa de novela mexicana. Ai ai!😅


Aqui não tem macarrão, tem massa. 
É massa com molho branco, massa de spagueti. Tudo é massa.
Para gente é massa de pizza, de coxinha, de pastel. Aqui é tudo no macarrão mesmo.


Essa me lembra a minha primeira entrevista de emprego em terras lusitanas e a moça do RH me perguntando o número da minha camisola.
OI? Pq ela tá querendo saber o número da minha roupa de dormir hein? 
Ahá!
Pq aqui camisola é a camisa que usamos. E ela só queria saber qual era o tamanho da blusa do uniforme que eu iria usar. 👍


Na barraquinha da feira, uma plaquinha escrita "Cueca feminina a 3euros". 
Hã?? Volta e lê de novo, Michelle. 
Cueca feminina?
Aham, aqui não temos calcinhas.
 Nós compartilhamos o mesmo nome para os trajes íntimos. É cueca para todo mundooo!



"Ah, sim percebi." Percebeu o que? O que vc tem que perceber? 😨
Perceber é entender. 
Eles falam isso o dia todo isso, acostume-se.
 Em pelo menos 99 das  100 frases que usam tem um"Percebes?".
Uhum. Já percebi tudo! 😏

Brincadeiras a parte,  se  tem uma coisa que eu admiro por aqui é a forma que eles falam, eu brinco mas eu adoro essas diferenças, sei lá dá o toque português às palavra, assim como o nosso jeito de falar dá o nosso toque brasileiro de ser.

Somos muito diferentes e ao mesmo tempo nos parecemos, temos muito deles e eles, de nós. E nessa mistura que o encanto nasce. São as diferenças que nos ensinam e nos fazem ver que cada dia é algo novo para se viver e aprender. Não só aqui, mas aonde estivermos.

Bem, essa é a sensação que tenho nesse 1 ano em Portugal: ainda tenho muito o que ver, ouvir, me surpreender e de tudo isso aprender um pouco mais. E rir tmb, pq levar a vida menos a sério é o melhor remédio para segurar a parte complicada de se viver longe, que é a saudade de quem ficou e do que estávamos acostumados a viver.

Eu tenho tentado fazer assim, e você, como tem sido sua caminhada até aqui? Tem sido surpreendido com coisas tão singelas como essa? Como lida com as "diferenças"? Brinca com elas ou não curte muito? Conta para mim aqui!



quarta-feira, 21 de março de 2018

Uma língua, muitas diferenças.

março 21, 2018 1 Comments


Você já está um tempo em Portugal e ainda tropeça nas palavras do Portugês daqui?
 Não se sinta mal, é normal. 
Ou vai ser normal pq eu quero me convencer disso também. 😅

Prestes a completar um ano em terras lusitanas e eu continuo não entendendo aquele "português raíz" que puxa um sotaque violento e "come" algumas letras. Sem falar que não me acostumo com algumas expressões e palavras que eles usam costumeiramente por aqui. 
Eu já fiz um post sobre isso e enfatizo aqui, o vocabulário português é bem diferente do nosso. Venha preparado para fazer muito "OI?"(eles adoram quando falamos rs), "Hein?!", entre outros, de acordo com sua região do Brasil rs. 
Muitas palavras são distintas ou possuem significados diversos e que facilmente podem criar mal-entendidos. Nesse período que estou aqui já passei por diversos momentos marcantes que ficam para história e meu aprendizado pessoal.

Sem falar que jpa passei por várias fases e reações sobre esse tema.
Já teve a época de: 
👉Estranhamento, do tipo não sei o que eles estão falando, socorro!
👉Achar engraçado. "Jura que significa isso? Que legal!"
👉Tomar um implicância em algumas ocasiões. "Ah pára, pq tem que falar assim? Não era mais simples desse jeito?"
👉Achar que não vou me acostumar mesmo. "Vai, eu não vou falar desse jeito não. Respeito, mas não me parece muito normal".
👉Misturar tudo em uma conversa. 
👉Repetir sem sentir.
Acho que eu ainda intercalo as três últimas.

A verdade é que estamos aqui e decidimos por isso e uma escolha por mudança vem acompanhada de....de..de... MUDANÇAS! tcharãam...é aprendizado atrás de aprendizado, mesmo que aparentemente mínimo, em relação a outros países. 
E claro, que faz parte desse processo sentir as diferenças, vivê-las aos poucos, ir se acostumando e entender que é assim aqui e pronto. Eu sou super a favor do "quem sai do seu país é quem tem que se adaptar a ele, não ele a você", mas eu vivo a me acostumar (ou não) com diversas situações. Ah e aproveito para vir contar aqui. Vamos ver se alguém se identifica.

Sobre situações que representam AINDA minha falta de "habilidade" com o Português de Portugal.

➤ Meus primeiros meses aqui se resumiram a perguntar mil vezes para entender e quando não entendia eu sorria e seguia.
Na primeira reunião de Pais na escola do meu filho não foi diferente. Tinha lá os representantes da Junta de Freguesia, que claro que eram os "português raíz", sotaque carregado, falam rápido e usam das expressões mais tradicionais posíveis.  É Claro!
 Resultado: Só dava eu levantando a mão para tirar dúvidas, entendendo uma boa parte das respostas (pq já havia lido sobre o assunto) e deixando algumas coisas sem perguntar pq já estava demais mesmo. Eu ia ler mais em casa e pronto.
E para fechar esse dia, eu preciso confessar que até hoje eu não sei o nome da professora do meu filho. Que vergonha, eu sei. Mas ela disse, repetiu, eu sorri, repetiu e eu... desisti.
 Depois de um tempo eu perguntei ao meu filho e pelo visto nem ele sabia.  Não sei se fiquei preocupada ou aliviada. Deixa pra lá! rs
Outra reunião dos pais, não pude comparecer, meu marido foi. Pergunto para ele, e ele me fala um monte de nomes mas nada parecido com o que eu "achava" ser o da educadora.
Conclusão 1: Família unida sem entender, permanece unida.
Conclusão: Acho que a professora reformou e entrou uma outra pessoa. Não conheço ainda mas já a considero muito.  
Até pq o nome dela é FÁTIMA!!! Ufa!

➤Filho na escola, muitos aprendizados, aquele sotaque surgindo (coisa mais fofa!), e claro... começa a mania de consertar a mamãe. "É castanho que se fala, mãe. Não marrom." 
Aquela conversa no pé do ouvido para explicar que não estou errada (brincadeira hahaha).
 "Filho, você está certo que aqui é castanho. Mas lá no Brasil se fala assim". Pronto, ele entendeu, e agora não tem mais correção né? Errado. 
Ele agora mudou o discursso. "Mãe, em Portugal é assim que se fala ..." 
OK. Dou um sorriso e falo "ah, tão poliglota". E seguimos.

➤ Ainda sobre os aprendizados na escola. "Mãe, tenho uma música nova. Vou cantar para você"...e começa.... ♬♬♬♬♬♬
No fim: "Ah filho, que lindo.", digo eu e logo em seguida corro em direção ao computador para colocar no google algumas palavrinhas (ô danadinhas) que não faço ideia do que significa. 😏
Ainda bem que a música era da escola e só tinha palavras bonitas mesmo.
Continuamos seguindo!

➤ Rifa da escola, festinha de fim de ano, uhuu!!..adoro! 
E entre os prêmios, bicicleta (BOA!), curso de informática (FIXE! muito portuguesa eu), camisola do Braga (não é roupa de dormir mas essa eu conheço, Há!) e então para finalizar, a palavra "Cabaz". 😨 Tinha que ter né. Fui ao google mais uma vez. Pronto! Ah, e aham, seguimos. 
Camisola = blusa
Cabaz =  é tipo uma cesta (que deve vir algo dentro, ou não rs)

➤ Ir ao mercado é uma das coisas que aprendi a gostar quando cheguei aqui. Gosto mesmo!
Tirando a parte das carnes.Comprar carne me deixa confusa demaais. 
Deve ter uns 15 cortes de carne diferentes, são tantos nomes e alguns até parecidos poréeem que não são a mesma coisa, claro.
Ah  eu sempre me enrolo para entender qual é a que quero, se são adequadas para o que vou cozinhar. Na maioria das vezes eu pulo essa parte mesmo, compro um peito de frango, peixe, qualquer coisa que não me faça ter que ficar ali horas a explicar o que quero. Tô quase fazendo um curso intensivo sobre as partes do corpo do boi por aqui.

❃❃ Por fim, tem algumas palavras e expressões que não acostumei de jeito nenhum. (Eu sei, um dia vai né). Algumas delas são:
 ➡ Meu filho falar "Adeus" quando se despede. 
Que isso, gente? Muita despedida para meu coraçãozinho (hahaha). A verdade é que aqui é super normal e cotidiano, enquanto para gente é quase um "até nunca mais", ou quase um "vou morrer". Me dá angustia ainda.
➡Não sei pedir água gelada. Primeiro pq que aqui não existe água gelada. É fresca. 
O tempo tá tipo 0 graus...tá fresco. 
Na carne do mercado vem escrito "frescura da semana". 
Treino minha maturidade aqui todos os dias.
➡ E o "com licença" na hora de desligar o telefone? 
Com Licença!
Toda!? Sei lá o que falar. 
Beijo? Ah, não sei. 
Que difícil, gente! 

E vocês, já passaram ou ainda passam por situações como essas? 
Me contem aqui. 
Vamos compartilhar!