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sexta-feira, 18 de maio de 2018

Almoço na escola em Portugal: a adaptação e o efeito da nova rotina

maio 18, 2018 0 Comments

alimentacao-nas-escolas-de-Portugal


Depois de temas como "matrículas" e "adaptação na escola nova", o assunto que mais preocupa os pais é sobre a alimentação nas escolas de Portugal. O cardápio do almoço mais propriamente dito. 😅

"Seu filho almoça na escola?", 
"Qual tipo de comida serve lá?, 
" Ele se adaptou rápido?", 
"Ele come de tudo? 
Essas são algumas das perguntas que recebo sobre o tópico que resolvi falar hoje.

Vou resssaltar mais uma vez que falo aqui sobre minha experiência com o meu filho. É claro que isso pode variar de criança para criança, família para família. É normal, ok? 
Então vamos lá!

Minha experiência:

Quando chegamos em Portugal, lia muitos pais (brasileiros em suas maioria) dizendo que adoravam a escola onde os filhos estavam estudando, poréeeem, grande parte dizia sobre a dificuldade de adaptação das crianças ao tipo de almoço oferecido nelas. Tanto que muitos preferiam  levar os filhos para comer em casa (pelo menos no início ou em dias específicos) ou mandavam algum tipo de comida para substituir a refeição dada lá. É bom já falar que sim, existe essa opção. Podem se acalmar, viu. 😊

É verdade que muitas das crianças demoram a se acostumar ao novo esquema alimentar nas escolas e que essa é uma fase muito complicada para muitas delas. De fato, cada criança reage diferente e é preciso saber lidar da melhor maneira para que nada seja traumático, já que são muitos processos de adaptação com a mudança de país.

Mas a verdade é que eu, apesar de muito me preocupar com esse momento, já tinha decidido desde o início que meu filho iria comer na escola e que passaria pela adaptação necessária lá dentro. E  se fosse preciso até reforçaria o lanche quando não tivesse rolando muito bem mas faria questão que ele pelo menos experimentasse o que estava sendo oferecido no dia. E isso foi algo que ouvi logo na primeira vez que tive contato com a escola e me deparei com essa "nova situação". O que me disseram foi: "As escolas aqui incentivam que a criança conheça novos alimentos sempre. Ela não é obrigada a comer tudo, mas precisa pelo menos provar para dizer que não gostou da comida."

No fundo, isso soou um tanto pessoal. Logo eu, a rainha do "não gosto de tal comida sem nunca ter experimentado". A verdade é que eu sempre achei a teoria muito interessante, mas na prática nem eu mesma vivia. Por conta disso era importante para mim não passar isso ao meu filho, ainda mais que por ele ser novo a questão poderia ser bem mais fácil de "superar". Na minha cabeça era a hora para se fazer isso sem "muito sofrimento". 

E outra coisa, temos que estar abertos para entender a cultura do país em que estamos e passarmos isso para os nossos filhos. Para mim, essa era uma oportunidade para isso. Ele tem apenas 5 anos, está formando seu paladar ainda, não poderia deixar de testar essa nova experiência. É claro que apesar de estar certa disso, o receio de que seria uma fase difícil caminhou comigo até a primeira semana de aula. Mas na minha visão era importante vivermos isso.

Tentar é importante:

O início das aulas veio e ele tirou de letra o novo hábito alimentar. Sim! Não houve reclamação dele com a comida e ao perguntar na escola sempre ouvia que ele era bem tranquilo para comer. Como foi? O que foi feito para isso? Não sei, só sei que foi preciso tentar para saber se iria correr bem, ou não.

Eu já havia reparado que ver os amiguinhos comer sempre facilitava e ele ia no clima. O que com certeza deve ter facilitado muito. Não sei exatamente qual foi a "mágica" mas chego a conclusão que é sempre (sempre mesmo) preciso tentar, antes de dizer que "não vai dar". Nós pais temos o péssimo hábito de já concluir se nossos filhos vão gostar ou não, se vão se adaptar ou não. A verdade é que estranhamos mais do que a criança.

O efeito dessa nova rotina no Dia-a-Dia fora da escola:

"Ah que bom, então seu filho come de tudo." 
Não. Não é bem assim. Em casa, ainda é um pouco mais difícil (comer em turma é muito mais legal) mas apesar disso já percebo uma mudança no paladar dele. O efeito da rotina na alimentação vem sido notada em alguns hábitos que ele adquiriu, como comer frutas de sobremesa. (Antes disso era sempre sorvete)
Depois do almoço, é hora de comer uma laranja cortada. UAU!  Voltei no tempo vendo ele comer assim rsrs.  Já não via isso desde o tempo que era pequena (quando minhas tias comiam). E ele ADORA! Coisa mais linda! É morango, melancia, clementina (tanjerina). Tô adorando! Ele come com gosto.
Mas se tiver um sorvete, ele ainda prefere? Claroooo. Normal, né?😏

Esse novo costume ainda rende algumas perguntas do tipo: "Tem 'oface' mãe?" OI?ALFACE?! Nem sabia que vc comia alface.
E novidades do tipo "Mãe, comi uma batata com negocinhos verdes e gostei." (risos)

Ah e além disso tudo, pude junto com ele aprender e reconhecer que meu cardápio em casa não é muito variado e meus hábitos alimentares não são muito exemplares também. E já estou trabalhando  nisso. Não é mole mas o negócio é tentar. MESMO!

No fim, ele só tem me mostrado que está preparado para vivenciar as experiências que esse mundão oferece e que o medo está sempre em mim. Em nós pais. Por isso, na dúvida, no medo, eu aconselho deixar seu filho tentar, experimentar (coisas boas, claro). Se não der certo, outras opções sempre virão. Mas deixe ele viver, sem passar nossos "traumas", essas novidades que o novo lar que escolhemos viver tem a oferecer.

Como funciona a alimentação na escola

Pequeno-almoço (o nosso café da manhã):
Geralmente nos pedem para mandar frutas e pão. E lá eles servem um leite (achocolatado).

Almoço:
Entrada - Sopa
A Refeição do dia
Sobremesa - frutas da época

Pela tarde:
Um lanchinho que pode ser bolachas (sem recheio), um bolinho (sem recheio), pão, iogurtes e mais frutas.

Sobre o Cardápio
A primeira vez que vi o cardápio, eu tive muita vontade de ser uma mosquinha para vê-lo comer Bacalhau à bras, arroz com cenouras sem reclamar do "negocinho abóbora" e as "coisinhas verdes" que ele sempre colocava de lado na comida aqui em casa.
Ah, eu ri sozinha e fiquei imaginando o "show" que ele daria para comer. Confesso que algumas comidas eu não oferecia agora pela idade. Sempre tive essa mania de achar que ele era muito novo para comer tais coisas. Que nada. Ele come agora e nem reclama. Tudo é uma questão de costume, faz parte.

O cardápio da semana geralmente fica anexado na porta de entrada da escola, recebemos por email e está no facebook da Associação dos Pais também.


Modelos de ementa:




sexta-feira, 20 de abril de 2018

A Primavera em mim

abril 20, 2018 1 Comments

Finalmente os dias muuuuito frios foram embora e uma das minhas estações preferidas chegou (de verdade!). Não vou mentir e dizer que a Primavera sempre foi a mais esperada por mim mas depois desses quase seis meses de temperaturas baixas, com dias de muita chuva e pouco sol, essa estação ganhou de vez meu coração. 

Só se passaram basicamente três dias em que ela de fato "floresceu" aqui em Braga e eu já me sinto inspirada. A primavera deixa a cidade linda mesmo! Os dias ganham mais cores e o calor vem calminho esquentar nossa vida de novo.

Gosto dessa temperatura amena, das flores que nascem e dos campos mais verdinhos. SIM, ela vem e mostra que não há inverno que dure para sempre. Que coisa boa! 

Além de tudo isso, é tão bom reviver a época que cheguei por aqui. Um ano se passou e me sinto em mais um recomeço.  E descubro que esse novo período representa bem mais que uma mudança de estação, ela significa um momento de renascimento para mim. 

Depois de um tempo de quietude e retraimento, volta a sensação de chegar em casa com o sol brilhando alto, como que se deixasse um recado que ainda há muito para curtir o dia, além de deixar raiar a esperança de que muitos iguais a esse virão.

E por falar em muito o que aproveitar, opções para quem quer usufruir bem dos momentos da primavera não faltam!
 É hora de curtir ao ar livre, se jogar nos gramadinhos dos jardins mais encantadores de Portugal (a louca dos gramados europeus, prazer!), curtir um café da tarde (ou da manhã) nas lindas esplanadas espalhadas por aí,  levar os pequenos nos parques, fazer picnics, taaanta coisa.  😊😍

No fim, abro as janelas para entrar essa brisa de forças redobradas para me re-descobrir por aqui. 
Não tão tarde, dou Adeus ao Inverno dentro de mim também e sigo, querendo viver, com calma(nenhuuuma pressa mesmo rs), cada partezinha dessa estação que enfim chegou. ✿❀❁

Quer ver mais um pouco do que venho compartilhando aqui?
Te sugiro então esses textos também:

10 coisas que aprendi (ou não) com o Inverno daqui


morar em braga - esplanadas

visitar em braga


braga jardins, o que visitar em Portugal

Braga, Portugal





quinta-feira, 1 de março de 2018

Morar no exterior: prepare-se para a Saudade. Ou não.

março 01, 2018 0 Comments



Não, nem tudo são flores na vida de quem decidiu morar fora do país. 

Aproveitando o gancho de uma campanha bem legal no instagram, que eu já estou participando lá, chamada #portugalnareal em que mulheres (mães em sua maioria e que moram fora do país) contam um pouco como é "a parte dificil" de se viver longe, eu vim falar aqui também um pouco a parte não tão "glamourosa" de deixar seu país e viver nas "Zeuropas".

Minha história (resumida)
Eu, primeiramente, fujo um pouco da história do sonho de viver fora do país, que ouvi e li na maioria dos relatos da camapanha. Pois é, grande parte fala que era um sonho e um planejamento de anos ter saído do país. Comigo não foi assim. Eu sempre vivi muito enraizada, viajar para fora nunca encheu meus olhos e não era uma realidade na minha vida, de verdade. Nasci, cresci quase no mesmo local (mudei algumas vezes, mas quase num ciclo, quando casei voltei a viver no mesmo lugar de quando criança). E desde então, o local mais longe que tinha viajado tinha sido  João Pessoa, na Paraíba, a terrinha de mamãe. Na minha lua de mel conheci Porto Seguro, viajei a trabalho para São Paulo e para rever uma amiga que morava por lá, e curti o Espírito Santo na casa de uma prima também. Essas foram minhas andanças. E nos meus planos de passeio só dava o Brasil (queria e quero ainda conhecer todas a praias desse mundão chamado Brasil rs).

E então você me pergunta, como cheguei aqui? 
Pois é, em um relato bem breve, eu já falo que o sonho real era do meu marido. Sim, que por dois anos martelou na minha cabeça o quanto seria vantajoso mudar de país e viver um nova vida.
No início essa história não fazia muito sentido na minha cabeça e com isso, eu empurrei para frente essa "mudança", fugia de qualquer coisa que chegasse a esse assunto.
O fato dele ser neto de português incentivava ainda mais esse desejo nele, além de trabalhar remotamente, o que facilitaria viver em qualquer lugar desse mundo e ainda ter uma renda certa. Ainda assim parecia tudo muito arriscado e radical para mim.
Mas a verdade é que o tempo passava e essa história estava cada dia mais real nas nossas vidas e eu, começava a perceber que poderia ser uma boa escolha para nós.
Sem falar que  a situação no Rio de Janeiro, cidade em que morávamos, estava cada dia mais caótica. (Eu nunca pensei que pudesse piorar mais), o que só nos empurrava para isso tudo acontecer.
 E então, num belo dia (rsrs), eu resolvi acreditar, apostar nessa "novidade" e aceitei o desafio, caindo de paraquedas numa nova dimensão, chamada morar fora do país.
Foi tudo tão rápido que as vezes ainda acordo e penso "caraca, eu to aqui mesmo". SÉRIO. rs

Os dias até o "grande momento"
Minha ficha demorou a cair. Nem mesmo a ida do meu marido, que veio primeiro para cá, me fez acreditar que a mudança estava realmente prestes a acontecer.
Eu sempre acreditei que quando vou viver algo muito desafiador na minha vida eu me teletransportasse para um mundo paralelo e assim conseguia ir me adaptando para viver tal situação da melhor forma possível (hahaha, isso é  muito real para mim).
 Ahh eu disse diversos “até logo”, arrumei minha mala para uma nova vida sem ter muita noção do que viria pela frente.
 Eu vivi cada dia até a partida sem se quer pensar em como seria aqui. Parece loucura, mas as vezes eu sinto falta de umas coisas que não trouxe para cá pq eu simplesmente deixei la pq achei que não fosse usar aqui mas que é CLARO que usaria pq era para o dia a dia de uma vida normal (nesse momento eu tava em transe com certeza, minha mala era para passar dias rs).
Eu não me preparei para nada, eu simplesmente vivi o que estava previsto para mim e tenho feito isso cada dia da minha vida.
 Não sei se foi a melhor forma a se fazer, nem sei se daria certo para todos, mas o que posso afirmar é que para mim tinha que ser assim. E não me arrependo, eu agradeço até essa minha válvula de escape que usei para fugir dos momentos mais difíceis dessa escolha pq me fez ter coragem para encarar cada fase desse processo.

A mudança
A verdade é que gente enche o peito de coragem, recomeça longe de tudo e de todos que estava acostumado e vai aprendendo, já na chegada e sem muito rodeio, o significado de viver uma nova vida. E é aí que a saudade bate sem dó e faz até os mais resistentes se curvarem. 
E ela está em tudo que vem pela frente: está na música que você ouve, na foto que surge na nossa rede social, no áudio ou no vídeo (temido por mim no início e que ainda estou em processo de adaptação) do WhatsApp. Não dá para evitar, ela te acompanha no cheiro, num tempero (que não tem aqui), na roupa que você trouxe e te lembra algum momento, ela fica na bolsa para onde você vai. Aquela companheira inseparável que você vai ter que aprender a conviver. Nem que seja na marra. 

O Peso das Escolhas
O fato é que eu optei por morar fora. Eu saí e tenho que aceitar que na minha bagagem a saudade estará sempre ao meu lado e, que só cabe a mim não fazer disso meu grande fardo. Pelo menos não todos os dias.
Eu me dou o direito de ter dias que bate a bad sim mas logo no dia seguinte eu me recomponho, olho o lado positivo de tudo que já vivi por aqui e dou um passo a frente. Ah quantos aprendizados, oportunidades, e já penso no quanto eu tenho para viver ainda.  
Nessa vida, aprendi que é preciso ter sabedoria e discernimento para saber que tudo é uma fase e que tudo passa...até o dias ruins.
Viver um nova vida traz um gás novo, uma visão diferente, amplia seus horizonte mas é um batalha emocional sem fim. 

Respira e Vai!
Se eu disser que vai ser super tranquilo lidar com isso, não é verdade, mas somos nós que decidimos como conviver com nossas escolhas. E se essa foi a sua é importante encarar que isso é a vida, cheia de coisas boas e ruins. Estando longe ou perto. 
Aqui eu reclamo, sinto falta, me questiono...mas quando estava perto eu  fazia a mesma coisa. Faz parte. Esses momentos sempre virão e o jeito é aprender a lidar da melhor forma. Um dia de cada vez... um passo a mais. 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Como é alugar casa em Portugal

fevereiro 20, 2018 0 Comments

Em Novembro do ano passado, fizemos nossa primeira mudança em terras lusitanas e só agora, depois de três meses morando aqui que conheci um pouco melhor dos arredores e também pude curtir a casa nova.  
A nossa mudança aconteceu tão rápido que as vezes nem acredito que conseguimos em uma semana empacotar tudo, levar para o apartamento novo e já começar a morar. E ainda deixamos a casa "ajeitada"  para a chegada dos meus pais, minha irmã e meu cunhada, que viriam nos visitar naquela mesma época. Nem acredito que deu tudo certo. Sério! (rs)

E nesse clima de mudança, que só agora tenho sentido de fato, eu aproveito para contar aqui um pouco sobre os processos burocráticos (ou não) na hora de arrendar (alugar) um imóvel aqui em Braga e para falar algumas curiosidades que aprendi durante esse período.
 Por fim, conto um pouquinho do que achei dos dois locais que morei.  Quem sabe ajudo de alguma forma quem ainda está na dúvida de onde ficar.

Como arrendar (alugar) um apartamento em Braga?
Alugar um apartamento é a principal e mais "dolorosa" tarefa por aqui (ou no mundo mesmo rs). Principalmente quando se é estrangeiro. Sim, eu sei que soa preconceituoso e que não se deve generalizar, mas a verdade é que muitos corretores ou o próprio dono do imóvel, só de perceber o sotaque diferente dificulta muito o processo para conseguir o arrendamento (alugar o local). 
Acredite, tem de tudo: pedem muito mais documentos que o necessário,  te cobram renda de mais de 6 meses até 1 ano (aluguéis adiantados), sem falar que o valor do aluguel pode ficar mais caro do que o anunciado, assim como um passe de mágica. Máaagica! 
Não são todos,claro, mas você pode encontrar coisas desse tipo com uma certa facilidade sim e é sempre bom está preparado para perceber que em todo lugar existem os seres sem luz e que usam de má fé, mas que não podem te fazer desanimar e desistir. Dá mole não!
O jeito é pesquisar beeeem, ter paciência nas procuras e muita disposição para correr atrás e achar o seu cantinho. Pq sim,você vai achar!
Mas uma coisa é certa é bom vir com algum dinheiro guardado e se planejar bem. SEMPRE!

Documentos necessários para alugar imóvel:
Seja alugando direto com o senhorio (proprietário) ou através de alguma imobiliária, é necessário:
- Documento de identificação (Passaporte, cartão de residência ou cartão cidadão)
- NIF (número do contribuinte) – equivalente ao CPF do Brasil.
- Dois aluguéis de adiantamento, sendo que um é o primeiro aluguel e o outro é o último aluguel que fica de garantia
- Um contrato de trabalho, ou algo que comprove seus meios de subsistência
- Na maior parte das vezes pedem um fiador, que em alguns casos pode ser substituído por mais um aluguel de adiantamento.

T0, T1, T2… oi?
Na hora de procurar um imóvel, é importante conhecer algumas siglas e denominações. Aqui em Portugal, por exemplo, os apartamentos de 1, 2 ou mais quartos são descritos pela letra "T". Sendo assim, um T1 se trata de um apartamento com 1 dormitório e por aí vai. Já o T0 poder ser considerado a nossa quitinete. Tem ainda o "T1+1", que quer dizer que há 1 quarto e mais uma dependência menor, que pode ser um escritório ou o “quartinho de empregada”. 

Mais curiosidades: 
Aqui ainda existem outras nomeações que não estamos acostumados a ouvir na hora de escolher um imóvel, que é:
Cave: Esse é mais comum em Lisboa, aqui em Braga é difícil de ver. São prédios mais antigos, que possuem andares subterrâneos do prédio. A cave fica um pouco abaixo do nível da rua. Apesar de serem apartamentos mais baratos, muitas pessoas não recomendam pois elas costumam ser bem úmidas, frias e escuras.  Ponto fraco disso é que com cômodos menos luminosos, os gastos na conta de luz são bem mais altos, sem falar que locais que não batem sol formam mofo.
R/C – Rés do chão: O rés do chão é um andar que não chega a ser o primeiro, mas já está um pouco mais alto do que o nível da rua. Pode ser o nosso térreo.

Há também diversas opções de casas para alugar também: com contas inclusas (água, luz e condomínio), sem mobília, com mobília e equipada (utensílios de cozinha, roupa de cama, etc). Claro que tudo isso pode influenciar no preço do imóvel, mas muitas vezes acaba compensando por ser mais prático, principalmente para quem vem estudar ou só para evitar aquelas mil compras de objetos para casa.
Se optar por alugar um imóvel vazio é comum encontrar ainda os termos “cozinha equipada” ou “cozinha semi-equipada”, que quer dizer que o apartamento (ou casa) pode conter frigorífico (geladeira), placa (espécie de cooktop), máquina de lavar roupas, louça e forno elétrico. Em muitos casos, eles também vem com um aparelho chamado “esquentador”, que pode ser a gás ou elétrico, que abastece o chuveiro e a placa da cozinha. No nosso primeiro apartamento já vinha também com o ar-condicionado (que servia para o verão e aquecia no inverno).

Freguesias (bairros) que morei  
Dois locais bem diferentes, com seus pontos fortes e pontos fracos (na minha humilde opinião).

São Victor - É um bairro bem conhecido,  mais "central" e "bem urbano" . O ponto positivo é que fica próximo de tudo:  shopping, cafés, do Centro. Se você vem morar em Braga e vem pensando em estudar, ou é jovem  e está em busca de agito, esse é o melhor lugar pois fica próximo da Universidade do Minho e é cercado de bares e restaurantes. Nele também tem uma concentração muito grande de Brasileiros, o que torna mais fácil a sociabilidade (ou não rs).
 É um local bem cheio e as vezes muito barulhento (rsrs). Eu confesso que até curtia essa movimentação pelas ruas e a proximidade de comércio mas por outro lado surgia os pontos negativos com todo esse "excesso" , que eram ruas mais sujas, menos cuidadas e com excesso de carros para todo o lado. Essa última era bem complicada, pois a simples missão de achar uma vaga para estacionar se tornava uma luta e as vezes levava horas, sem falar na quantidade de carro estacionado em locais proibidos, que dificultava muitas vezes andar pelas calçadas. 

Lomar  - É completamente o oposto, o que de início me deu um certo estranhamento. É um lugar mais pacato, me parece com um "Portugal mais tradicional", dos que via em filmes, do jeito que eu imaginava ser antes de vir para cá (rsrs).  Aqui é mais frequente as ruas de pedras, algumas vivendas, as muralhas e casas antigas (não velhas), dando um ar mais bucólico. É um local mais quieto e (para mim) mais aconchegante, apesar de as vezes sentir falta de ver gente e ir andando ao shopping (rs). 

A MUDANÇA - Saímos de um apartamento no 8º andar para um térreo e com garagem. Duas mudanças que fizeram a diferença para nós. PQ? O primeiro pq depois do nosso gato cair da janela (e sobreviver rs), a altura do ap era uma das coisas que mais nos incomodava e preocupava. Além disso  e principal, temos um filho de 5 anos e com criança pequena, morar em lugar alto era motivo de susto por nada. Era só não tê-lo a vista para o coração saltar.  E a garagem? Bem, para mim garagem deixou de ser "artigo" de luxo quando o frio chegou e eu ouvia meu miúdo reclamando que a mão dele tava congelando no caminho da nossa casa até aonde o carro estava estacionado. As vezes não conseguíamos estacionar na nossa rua, e esse caminho ficava ainda mais longo e sofrido tmb. Mesmo de luva, touca, armadura....rs
( Entao pra finalizar, eu deixo essa  dica importante para quando se está procurando imóvel para alugar: veja se existe um número muito grande de prédios em volta, pq o número de "vizinhança" é quase proporcional ao de carros que vai competir com vc  na hora de achar uma vaga na sua rua. Sim, pq uma coisa que descobri aqui é que português pode ter garagem mas ele gosta mesmo é de estacionar na rua. Ah, e Brasileiro tmb rsrsrrs. )

  


↠ Guia para visitar  Porto em 2 dias
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↠ Mudei para Portugal. E agora??!!
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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Viver no exterior: um mês fora

maio 11, 2017 6 Comments


Hoje me dei conta que já faz um mês que me mudei para Portugal. Sinto que, aos poucos, a sensação de que tudo isso é apenas uma viagem está passando. No começo tentei não pensar nisso. E principalmente, não escrever. 
Morar longe de onde nascemos e crescemos talvez seja um dos maiores desafios da vida. A verdade é que tudo sai do eixo. O lado emocional paga um preço alto. A gente se culpa, se questiona, se angustia. De repente até as coisas que você mais detestava te fazem falta. 

"Recomeçar dói. Recomeçar exige coragem, persistência e resiliência."

A real é que ainda não sei descrever "o que é" e "como é" estar aqui. É como se o sentimento estivesse dentro de mim, todo embaralhado como um grande quebra cabeça e eu vou montado peça a peça.De pouquinho, em pouquinho! É um misto de dor da saudade do que ficou para trás com a euforia de uma nova perspectiva de vida que vem surgindo. Nem sempre fácil de equilibrar. 
Teve dias que chorei no chuveiro e outros que me senti muito bem de poder viver essa experiência tão nova e de grandes descobertas e aprendizados. Senti paz em fazer coisas simples que já não conseguia no Brasil e também me achei uma tonta em uma simples ida a uma padaria (ou supermercado), por me sentir uma analfabeta por não entender completamente a língua local. Tem dias mais fáceis e outros nem tanto.

"A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas.

E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão."

Mas as semanas passam e eu vou tentando me encaixar nessa nova realidade. A casa começa a ficar mais familiar, os passeios me fazem conhecer um pouco da cidade e me tiram um pouco do olhar de turista. Comecei a conhecer pessoas amigas, alguns e muitos portugueses receptivos, prontos a ajudar. E o mais especial: montei o quartinho do meu filho, dando a ele,a mim e ao meu marido mais um pedacinho todo nosso por aqui. No fim, sair ou ficar em casa sozinha não é mais tão assustador. A ida a padaria, ao mercado ou a uma loja cheia de promoções (parte muito boa daqui rs) já não é aquele bicho de sete cabeças. 

Não sei como vão ser os próximos dias, meses...não sei mesmo. Mas o que eu sei que é um recomeço para tudo e há um longo caminho pela frente. E eu estou aqui, vivendo e aprendendo.

"É como “nascer de novo”. Assim como um bebê faria através da exploração do ambiente e dos sentidos, vamos reaprendendo a caminhar, a falar, a desenvolver outros  limites e novos talentos.Essa construção requer tempo, trabalho, disposição física e emocional. Não é fácil, mas tampouco impossível. O importante é estarmos conscientes de que isso é um processo."



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