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quarta-feira, 4 de abril de 2018

O que sinto falta do Brasil

abril 04, 2018 0 Comments


No mês de abril eu completo 1 ano morando em Portugal. Como é de costume eu resolvi escrever um post aqui no blog  e falar sobre essa vivência para vocês. Dessa vez, o tema escolhido foi:
  "O que sinto saudade do Brasil". 

Bem, é claro que certamente a maior saudade que tenho do Brasil é da família e dos meus amigos. Eu neeeem coloco na balança a falta que eles me fazem com a vida que levo aqui pq nao tem como medir esse tipo de sentimento. Por isso não entram na lista, por motivos óbvios. O foco será em produtos, situações, serviçoes e comidas. Quase tudo é comida ou relacionado a isso para falar a verdade, mas vamos lá! rs

Já adianto que vou adorar ter o feedback de vocês e saber quem mais sente esta saudade do Brasil. Ah, e dicas caso eu esteja reclamando de algo que tem por aqui e eu nem sei rsrs

Toda vez que a gente pensa na vida no exterior, vem as descobertas fantásticas, o país lindo e as oportunidades diversas que temos por experimentar uma nova cultura. Tanta coisa boa, não é mesmo? Mas há certos aspectos do estilo de vida brasileiro que fazem muita falta quando se está longe. Pensando nisso, listei umas 10 coisas (acho que juntando todas as comidas dá mais) que costumam me dar muita saudade aqui.
Bom, não preciso dizer que nenhum destes itens é fundamental para nossa vida né? É realmente uma forma de deixar toda essa distância mais leve e matar a saudade, pelo menos com as lembranças. Ah, e claro, uma forma de organizar meu roteiro do que vou fazer quando eu for no Brasil tmb. 😋


1. Comida a quilo 
Eu sinto, muita, muita falta de almoçar fora em um restaurante a quilo aqui. Poder comer o que quer, a quantidade que desejar, fazer aquela mistura mais doida sem que ninguém te controle é libertador rsrsrs. 
Ah e tem também aquele dia que vc não está com tanta fome, e pode colocar só o que vai comer e então pagar só por aquilo. Ah, muito mais prático e econômico tmb. Aqui, na maioria dos restaurantes que a comida está no estilo "self service" tem alguém que monta sua comida e os pratos são geralmente pré-prontos (quantidade e o que tem para comer é bem padronizado). Eu já cansei de deixar comida no prato (que vergonha, eu sei ) pq acabou sendo de mais para mim, ou as vezes sentia que faltou algo para acrescentar na refeição tmb. 
Para não dizer que não existem esse tipo de estabelecimento aqui em Braga, eu até encontrei um restaurante nesse estilo aqui perto de casa (fiquei tão feliz que nem liguei que nem tinha tanta variedade assim rs), mas é muito raro ainda assim e caro tmb. ( Se conhecerem mais, me indiquem!)

2. Tanque
Nunca pensei que fosse dizer isso mas eu sinto muiiiita falta de ter um tanque em casa. Tá, eu realmente lavo todo tipo de roupa na máquina de lavar mas gente, e tênis ou aquele chinelo velho, um tapetinho que uma água básica e um sabão resolve rapidinho, sem falar naquela blusinha mais frágil que vc não quer estragar na máquina ou um balde para encher para fazer uma faxina? 
É tudo na banheira ou no box mesmo?! Bem normal mesmo?
Bem, eu acredito que algumas moradias devam até ter tanque mas em nenhum dos dois lugares que morei aqui eu tive esse prazer de ter uma área de serviço com um e confesso que me fez falta a beça por aqui.

3. Suco de uva
Assim que cheguei aqui, fui a um restaurante e pedi um suco de uva. 
??????  ← Essa era a cara do garçom para mim. (OI??)
Foi aí que eu descobri que aqui não era comum esse sabor para sumos (como eles chamam sucos aqui). Sinceramente nunca achei meeesmo e desisti de pedir em restaurantes tmb, claro.
Desde então eu já exprimentei diversos sabores (até lichia) mas o de uva, nada. 
Ahh, eu amo os sucos de uva do Brasil, de caixinha, de garrafa, de qualquer tipo. 
Sinto muita saudade mesmo de um suquinho daqueles geladinhos, que vem numa garrafa de 2 litros que comprava na padaria perto de casa. Huummm!

4. Delivery variados
Se tem uma coisa que quase não tem aqui é restaurante que entrega. Enquanto no Brasil já rolava até boteco online rsrsrs
Chegava sexta-feira eu já estava "Hoje vai ser hamburguer gourmet, petiscos ou um pac de esfiha?". Sem falar no almoço daquele fim de semana que vc não quer cozinhar e nem sair de casa. Tinha uma liiiista de restaurantes para esse momento. (ou quase uma rs)
Já aqui isso é beeeem raro. Pelo menos onde moro. É pizza, e olhe lá! Nem Mac Donalds entrega. Por aqui, o tradiconal é o "Take Away", que é onde vc busca a comida e come em casa. E só.

5. Churrasco em qualquer situação
A verdade é uma só, quando se tá longe sente falta, quando se tá perto vc enche o saco. Era em toodo aniversário, fim de semana, reunião entre amigos. E eu? Ah, não aguentava mais! "Churrasco de novo? Vai, vamos mudar o cardápio né." (pagando a língua nazeuropas ela rs)
Agora é só colocar um pagode na televisão (chooora" rs) que eu lembro cheia de saudade daquela reunião infinita, que começava as 15h de sábado e acabava as 7h do dia seguinte. Ou, dos domingos tradicionais com cheiro de churrasco do vizinho e aquela musica mais fossa possível.
Era churrasco na rua, no boteco, na calçada, na varanda, na laje, no salão de festas, na festa da igreja....tinha para todos os gostos e tipos.
Êta saudade daquele pão de alho e de uma banana na grelha para comer de sobremesa...huuummm

6. Banho de Mar
"Menina do Riiiio!" "Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema"
Opa, menos, bem menos. 😅
Eu nunca fui a carioca da gema que tem o escritório na praia mas uma prainha com sol e mar faz toda a diferença. Principalmente o BANHO DE MAR.
Pq a verdade é que ir a praia sem conseguir dar um mergulho é quase que sei lá, não ir rsrs. Eu sei que ainda não visitei o lado das águas quentes em Portugal mas as poucas praias que frequentei por aqui era impossível entrar na água. NÃO ERA DE DEUS AQUELA ÁGUA! 
Eu não era nadadora do grupo, que ia para a praia só para curtir a água mas que me fez muita falta mergulhar naquele marzão, fez. As águas por aqui são muito muito geladas mesmo, mal consegui molhar o pé. Não dava, de jeito nenhum rs
Eu até tentei os rios tmb,cada coisa linda, paisagens incríveis, mas para nadar não dava não. 😓

7. Lojas de tortas geladas
Ah, mas aqui tem doce por tudo quanto é lado, Michelle! 
Por onde passa tem pastelarias repletas de guloseimas. 
Eu sei, eu sei, mas  a verdade é que eu nunca encontrei aquela torta crocante, geladinha, uma de limão saborosa tmb..huummm. Ai, que vontade de comer uma fatia depois do almoço. Tipo Torta Mania, sabe? 
 Eu sei que muitos vão dizer "ah mas é tradição, doces típicos, Portugal, não Brasil". Eu sei, tmb concordo, não é reclamação, é só uma saudade mesmo, um desejinho brasuca. Nada contra, eu como os doces portugueses tmb rsrs

8. Só vai ter comida a partir de agora, então vou resumir:
Sinto falta:
- Habibs no dia de aperto
- Outback  nos primeiros dias do mês hahahaha
- línguiça calabresa acebolada naquele petisco de sexta-feira depois do trabalho.
- sopa de ervilha, COM LINGUIÇA CALABRESA.
- Pizza de CALABRESA
- aquele hamburguer podrão da esquina com tudo dentro
- pastel da feira (mesmo não sendo na feira)
- Requeijão com Pão
- Pizza de Chocolate ( aqui tem em algumas pizzarias brasileiras, mas ainda assim não é igual a do Brasil, pelo menos as que experimentei)
- Nescau (tem em loja de produtos brasileiros, mas nem sempre é possível ir até esses estabelecimentos, então não é o mais comum)
E....
- Mortadela sem azeitona

A lista é grande, as diferenças também...e a saudade, ah nem se fala! Quase 1 ano aqui e tenho aprendido a lidar com as coisas maaais simples e que fazem uma falta danada. Principalmente pq quando se está longe elas se tornam grandes demais em certos momentos. Faz parte. 😏

Mas é importante sempre lembrar que o diferente não é ruim, sentir falta não é desdenhar e não gostar do que tem agora, é apenas relembrar. É não se esquecer da sua raíz, da sua história, de ser um pouco do que você é. Mesmo que esteja falando só de uma lata de achocolatado rsrs


segunda-feira, 26 de março de 2018

Portugal tem Férias na Páscoa

março 26, 2018 0 Comments



Chegou a segunda-feira, e com ela o início das férias de Páscoa. 🐰🐰
Pois é, em Portugal, o feriado cristão é um dos mais importantes do país. Nesse período, as crianças ganham um "folga" de duas semanas da escola e aqui em Braga,  por exemplo, a cidade já está toda enfeitada para diversas festividades, além de ter muitas atrações para as crianças.
Muitas famílias conciliam férias do trabalho e aproveitam para viajar juntos nessa época também. Uma boa opção, com certeza.
Mas nem sempre é possível, como é o meu caso, então o jeito é planejar alguns dias de diversão por aqui mesmo. Afinal de contas, férias não combina com crianças em frente a uma televisão durante o dia todo.
  Pode ser por conta própria, com passeios ao ar livre, nos parques, shoppings ou em diversos centros de estudos, ateliês de férias, museus e teatros também. Sem falar nas atrações de Páscoa nas ruas, claro.

Eu já entrei no ritmo e fui a caça dos melhores programas para entreter meu pequeno nesses dias. Escolhi então alguns que me pareceram bem interessantes e vou dividir com vcs aqui.
 Chegou a hora de se organizar para levar os miúdos para gastar esse tanto de energia que eles tem.São de todos os gostos e para todos os bolsos.  
Anota aí as dicas então para dar um toque de animação nessas "mini férias" da criançada.

Projeto Expressar 
Férias de Páscoa no Museu dos Biscainhos. Oficinas de férias com jogos tradicionais, contos, artes plásticas e muito mais.
Duração: de 26/3 a 6/4/2018, das 9h as 17h30.
Mais informações, clique aqui.

No Museu dos Biscainhos ainda tem algumas atividades avulsas:

Decoração de Ovos de Páscoa
Dia 29.03 - das 14:30 às 16:00
Idades: dos 3 aos 12
Preço: 4 Euros / participante - mínimo 10

Caça ao Tesouro - Museu D. Diogo Sousa 
Dia 30.03 - das 14:30 às 16:00
Idades: dos 6 aos 14
Preço: 3,5 Euros / participante - mínimo 10

Theatro Circo

Dia 28.03
Construção de Jogos Tradicionais em madeira (Dominó, Jogo do Galo, Jogo de Memória), com ilustrações personalizadas pelos participantes com pormenores do Theatro Circo.
Das 10h-12h / 14h45-17h45
Crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos 

Dia 29.03
Realização de um painel de Azulejaria tendo como base um dos espaços do Theatro Circo.
Das 10h-12h / 14h45-17h45
Crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos
Mais informações, clique aqui.



Casa do Professor e Criactiv (Braga)
O Campo de Férias da Casa do Professor junto com os Estúdios Criactiv proporciona dias de muita criatividade e imaginação. Dias com dança, trampolins, ginástica, yoga, culinária e muito mais.
A programação vai de 26/3 a 6/4/2018, das 9h as 18h.
Mais informações, clique aqui.



CEA - Conhecimento Expressão Arte‎ (Braga)
Tem mais atividades criativas na Escola de Ensino Artístico, que reúne atividades de música, teatro, ateliê de artes, e muito mais.
Duração: de 26/3 a 6/4/2018.
Mais informações, clique aqui.



Diagonal - Centro de Aprendizagem
Na última semana das férias, ainda tem muito o que se fazer no Centro de Estudo Diagonal, com passeios ao Sea Life, cinema, Bownling, entre outros.
Duração: de 03/04 a 6/4/2018.
Mais informações, clique aqui.



Happy Code
Para os que não largam o computador, a Happy Code programou dias que inclui cursos intensivos de Minecraft Moding e YouTuber. O programa inclui um dia completo com outras atividades também.
Mais informações, clique aqui.




Querem mais dicas? 
Conheçam também o instagram RoteiroKidsBraga, clicando aqui.
Aqui tem atividades de todos os tipos e para o ano todo.






quarta-feira, 21 de março de 2018

Uma língua, muitas diferenças.

março 21, 2018 1 Comments


Você já está um tempo em Portugal e ainda tropeça nas palavras do Portugês daqui?
 Não se sinta mal, é normal. 
Ou vai ser normal pq eu quero me convencer disso também. 😅

Prestes a completar um ano em terras lusitanas e eu continuo não entendendo aquele "português raíz" que puxa um sotaque violento e "come" algumas letras. Sem falar que não me acostumo com algumas expressões e palavras que eles usam costumeiramente por aqui. 
Eu já fiz um post sobre isso e enfatizo aqui, o vocabulário português é bem diferente do nosso. Venha preparado para fazer muito "OI?"(eles adoram quando falamos rs), "Hein?!", entre outros, de acordo com sua região do Brasil rs. 
Muitas palavras são distintas ou possuem significados diversos e que facilmente podem criar mal-entendidos. Nesse período que estou aqui já passei por diversos momentos marcantes que ficam para história e meu aprendizado pessoal.

Sem falar que jpa passei por várias fases e reações sobre esse tema.
Já teve a época de: 
👉Estranhamento, do tipo não sei o que eles estão falando, socorro!
👉Achar engraçado. "Jura que significa isso? Que legal!"
👉Tomar um implicância em algumas ocasiões. "Ah pára, pq tem que falar assim? Não era mais simples desse jeito?"
👉Achar que não vou me acostumar mesmo. "Vai, eu não vou falar desse jeito não. Respeito, mas não me parece muito normal".
👉Misturar tudo em uma conversa. 
👉Repetir sem sentir.
Acho que eu ainda intercalo as três últimas.

A verdade é que estamos aqui e decidimos por isso e uma escolha por mudança vem acompanhada de....de..de... MUDANÇAS! tcharãam...é aprendizado atrás de aprendizado, mesmo que aparentemente mínimo, em relação a outros países. 
E claro, que faz parte desse processo sentir as diferenças, vivê-las aos poucos, ir se acostumando e entender que é assim aqui e pronto. Eu sou super a favor do "quem sai do seu país é quem tem que se adaptar a ele, não ele a você", mas eu vivo a me acostumar (ou não) com diversas situações. Ah e aproveito para vir contar aqui. Vamos ver se alguém se identifica.

Sobre situações que representam AINDA minha falta de "habilidade" com o Português de Portugal.

➤ Meus primeiros meses aqui se resumiram a perguntar mil vezes para entender e quando não entendia eu sorria e seguia.
Na primeira reunião de Pais na escola do meu filho não foi diferente. Tinha lá os representantes da Junta de Freguesia, que claro que eram os "português raíz", sotaque carregado, falam rápido e usam das expressões mais tradicionais posíveis.  É Claro!
 Resultado: Só dava eu levantando a mão para tirar dúvidas, entendendo uma boa parte das respostas (pq já havia lido sobre o assunto) e deixando algumas coisas sem perguntar pq já estava demais mesmo. Eu ia ler mais em casa e pronto.
E para fechar esse dia, eu preciso confessar que até hoje eu não sei o nome da professora do meu filho. Que vergonha, eu sei. Mas ela disse, repetiu, eu sorri, repetiu e eu... desisti.
 Depois de um tempo eu perguntei ao meu filho e pelo visto nem ele sabia.  Não sei se fiquei preocupada ou aliviada. Deixa pra lá! rs
Outra reunião dos pais, não pude comparecer, meu marido foi. Pergunto para ele, e ele me fala um monte de nomes mas nada parecido com o que eu "achava" ser o da educadora.
Conclusão 1: Família unida sem entender, permanece unida.
Conclusão: Acho que a professora reformou e entrou uma outra pessoa. Não conheço ainda mas já a considero muito.  
Até pq o nome dela é FÁTIMA!!! Ufa!

➤Filho na escola, muitos aprendizados, aquele sotaque surgindo (coisa mais fofa!), e claro... começa a mania de consertar a mamãe. "É castanho que se fala, mãe. Não marrom." 
Aquela conversa no pé do ouvido para explicar que não estou errada (brincadeira hahaha).
 "Filho, você está certo que aqui é castanho. Mas lá no Brasil se fala assim". Pronto, ele entendeu, e agora não tem mais correção né? Errado. 
Ele agora mudou o discursso. "Mãe, em Portugal é assim que se fala ..." 
OK. Dou um sorriso e falo "ah, tão poliglota". E seguimos.

➤ Ainda sobre os aprendizados na escola. "Mãe, tenho uma música nova. Vou cantar para você"...e começa.... ♬♬♬♬♬♬
No fim: "Ah filho, que lindo.", digo eu e logo em seguida corro em direção ao computador para colocar no google algumas palavrinhas (ô danadinhas) que não faço ideia do que significa. 😏
Ainda bem que a música era da escola e só tinha palavras bonitas mesmo.
Continuamos seguindo!

➤ Rifa da escola, festinha de fim de ano, uhuu!!..adoro! 
E entre os prêmios, bicicleta (BOA!), curso de informática (FIXE! muito portuguesa eu), camisola do Braga (não é roupa de dormir mas essa eu conheço, Há!) e então para finalizar, a palavra "Cabaz". 😨 Tinha que ter né. Fui ao google mais uma vez. Pronto! Ah, e aham, seguimos. 
Camisola = blusa
Cabaz =  é tipo uma cesta (que deve vir algo dentro, ou não rs)

➤ Ir ao mercado é uma das coisas que aprendi a gostar quando cheguei aqui. Gosto mesmo!
Tirando a parte das carnes.Comprar carne me deixa confusa demaais. 
Deve ter uns 15 cortes de carne diferentes, são tantos nomes e alguns até parecidos poréeem que não são a mesma coisa, claro.
Ah  eu sempre me enrolo para entender qual é a que quero, se são adequadas para o que vou cozinhar. Na maioria das vezes eu pulo essa parte mesmo, compro um peito de frango, peixe, qualquer coisa que não me faça ter que ficar ali horas a explicar o que quero. Tô quase fazendo um curso intensivo sobre as partes do corpo do boi por aqui.

❃❃ Por fim, tem algumas palavras e expressões que não acostumei de jeito nenhum. (Eu sei, um dia vai né). Algumas delas são:
 ➡ Meu filho falar "Adeus" quando se despede. 
Que isso, gente? Muita despedida para meu coraçãozinho (hahaha). A verdade é que aqui é super normal e cotidiano, enquanto para gente é quase um "até nunca mais", ou quase um "vou morrer". Me dá angustia ainda.
➡Não sei pedir água gelada. Primeiro pq que aqui não existe água gelada. É fresca. 
O tempo tá tipo 0 graus...tá fresco. 
Na carne do mercado vem escrito "frescura da semana". 
Treino minha maturidade aqui todos os dias.
➡ E o "com licença" na hora de desligar o telefone? 
Com Licença!
Toda!? Sei lá o que falar. 
Beijo? Ah, não sei. 
Que difícil, gente! 

E vocês, já passaram ou ainda passam por situações como essas? 
Me contem aqui. 
Vamos compartilhar! 

sexta-feira, 16 de março de 2018

5 coisas (ou mais) que "estranhei" nas escolas de Portugal

março 16, 2018 2 Comments



Quando se muda para um outro país com crianças, a adaptação ao ambiente escolar é com certeza uma das maiores preocupações. “Será que o meu filho vai se adaptar?”, Será que vai fazer amigos?”, “ E se sofrer preconceito por ser estrangeiro?”. Essas e outras perguntas são muito frequentes na cabeça de nós pais, principalmente na minha de super neurótica mãe dramática.
A verdade é que eu estava muito ansiosa e preocupada com esse início pois só pensava na "graaande mudança de ritmo e rotina que aconteceria na vida dele".
 Mudamos para um outro país, era uma escola completamente nova e diferente, nova professora, novos amigos e "uma  quase nova língua". Ó pobre criança! 😅
Eu costumava recordar com ele dos bons momentos vividos na escola anterior, os amigos e as atividades que ele fazia por lá. Para mim, falar sempre de forma positiva desse prepará-lo para sua nova vidinha por aqui. Mas eu tentava de tudo mesmo era não projetar a minha ansiedade nele. 

No fim, o primeiro contato dele com a escola foi ótimo e rapidamente ele já estava inserido no novo contexto escolar que tanto me preocupava. É claro que cada criança reage de uma forma mas de uma forma "quase geral" o novo mesmo está nos nossos olhos. Então é claro, que a maior adaptação, mais uma vez, foi toooda minha. 
 E é sobre isso que eu vim falar. Vou contar aqui no post um pouco do que descobri de diferente (PARA MIM) nas escolas em Portugal (Braga, cidade que vivo), além de relatar todas as "bolas foras" que dei por não estar acostumada com essas "novidades" que a vida acadêmica do meu filho me proporcionaria.

1 - Crianças no infantário estudam em turmas mistas
Aqui em Portugal, o aluno tem a obrigatoriedade de frequentar a escola a partir dos 6 anos de idade mas é muito comum que os pais que trabalham coloquem seus filhos em um infantário logo cedo, e o que acontece? As creches, infantário ou creche-escola formam turmas mistas (idades variadas) para um ensino compartilhado. Bem, eu não sei se é em tooodas as escolas do país, mas as cinco que visitei tinham esse mesmo método, por isso falo do que vivenciei.
Eu confesso que, de início, isso me causou um certo "estranhamento". Perguntas como "Será que ele vai regredir?" "Como vai ser o desenvolvimento dele com esse método?" pairavam na minha cabeça.
E foi só durante a primeira reunião dos pais que consegui entender melhor e enfim visualizei um pouco mais do que seria esse "tempo dele na escola" e foi aí que fui me acostumando com a ideia.
A educadora, na época, frizou muito sobre ser tempo de sociabilizar e brincar para eles, o que de fato fazia todo o sentido na nossa situação já que  ainda passávamos pelo período de adaptação com o novo local que vivíamos.
 Sem falar que desde então observo nele um sentido de responsabilidade com crianças mais novas que ele. Um "ensinar" e um "ajudar" o amiguinho mais novo que não era de costume antes. Tanto que seus melhores amigos na escola tem menos idade que ele e fazem dele um "amigo exemplo". É a coisa mais linda! Uma face que ainda não conhecia dele e tenho achado ótima.



2- Não tem material escolar individual
Antes mesmo da primeira reunião escolar, eu já sabia que lista de material era algo bem singelo aqui. O que me pareceu ótimo, porém não me segurou de comprar umas coisinhas para ele, não é mesmo? NÃO. 😏
Então, tô me perguntando até hoje pq eu não esperei a tal reunião. 😒
A verdade é que não é que a lista seja singela, ela SIMPLESMENTE NÃO EXISTIA. Mais uma vez repito que isso pode variar de escola para escola, mas a maioria nesse período não se preocupa muito com material escolar individual do aluno mesmo.
No meu caso foi assim: no dia da reunião, eu ouvi da educadora a seguinte frase "todo material que usaremos a escola tem. Recebemos da junta e se for preciso algo durante o ano informamos depois". 
OI?? Todo? Pensei eu. Nãao, não é possível. Nem uma resma de papel? Canetinha com 12 cores? Lápis de cor JUMBO (hahaha, brincadeira)?
Vaai, o básico pelo menos, uma canetinha com teminha, lapis de cor, lápis de escrever, borracha fofinha e estojo eu vou comprar né. 
COMPREI.
E mais uma vez eu ainda me pergunto o porquê dessa mania.😏
Eu sei que ele levou o material que eu comprei por UMA SEMANA e voltou intacto da escola. Eu persisti. INTACTO AINDA.
Até que meu filho virou e disse "mãe, eu não uso nada meu na escola. Não pode. Tem que ser o da escola."
OK, estojo lindo com teminha fofo fica em casa agora. Ponto. Aprendi.



3 - Não tem agenda escolar
Sabe aquela comunicação com a escola, os recadinhos de reunião, das festinhas, algumas atividades extras, um comportamento estranho do seu filho ou até o surto de piolho? Não vem na agenda.
NÃO - TEM - AGENDA.
É que a maioria dos recados são passados para as crianças. Uma forma de passar responsabilidade e os tornarem mais independentes. TENDEU?
(E pensar que eu até hoje esqueço de dar recados para as pessoas.)
Eles também informam algumas coisas na hora de levar ou buscar a criança (principalmente quando você pergunta rs) ou eles mandam uma folha de recado solta que se perde na merendeira do seu filho. Quer dizer se perdia, pq eu aprendi a olhar a bolsa de comida toooda quando ele chega.
 Na bolsa de comida sim, no próximo item eu explico. 



4 - As mochilas ficam na escola
E por falar em recados perdidos na merendeira, chegamos ao ponto 4. Mais uma vez eu comprei tudo combinandinho para ele ir para escola, mochila que combina com merendeira, com o copinho, potinho pro lanchinho e blablabla. 
Primeira semana de aula: "Ué, cadê sua mochila?" "Tá, na escola, junto da minha bata. Ela fica lá" OK, mais um novidade para anotar.
Pois é, de segunda a sexta (as vezes fim de semana, quando não precisa colocar algo para lavar), ela fica na escola. 
E o que tem nela? Livros, cadernos, agendas? Não. Roupas para o caso de uma troca, quando ocorre aqueles "acidentes básicos" que toda criança costuma aprontar. E SÓ. Ele não vai com mochila, merendeira, tooodo fofo para escola mais. Entenda e aceite, Michelle.
Grata.


5 - Os lanches são "sugeridos" pela escola
No dia da reunião eu também fiquei sabendo qual lanche mandar para o meu filho. Sim, quem falou que tem o dia daquele biscoito recheado ou salgadinho? Tem não. (Eu sei, que bom né. Desculpa mundooo!)
No livrinho que recebemos vinha escrito, recomenda-se pão, frutas, biscoitos (tipo Maria) e iogurtes. Organizados pelas horas dos lanches e tudo. Poonto para eles! E um choque de realidade nos meus costumes alimentares nada questionáveis e mais um tapa para eu aprender a cuidar melhor da alimentação do meu filho. Valeu Portugal!
Ótimo né? Também achei. 
Mas eu confesso que as vezes tento variar com uma coisinha aqui e outra ali. Calma, só rola um "cream cracker" DE-LI-CI-O-SO de vez em quando tamém! rsrs. 
Todo dia vai quase a mesma coisa, juro. 
Uhum, eu ainda tenho muito que aprender, ai ai. 😕


** 6 - Ah ainda tem o fato das crianças não usarem uniforme e sim uma bata beeem, digaaaamos, huuuuum...não muito bonita. FALEI! 😅
Meu filho fica lindo? Sim, claro. 
Mas eu estranhei no início sim e ri um pouquinho também pq a maturidade ficou toda no meu filho. Hoje eu amo aquela roupinha e adoro vê-lo saindo da escola com a batinha. Tudo é uma questão de costume e entender que faz parte.

** 7- E por fim.... tchan tchan tcharãaaa....Meu filho não chama mais ninguém de tia na escola. 
"De quem você mais gosta na escola" "Fulana"... "Qual o nome da moça do almoço?" "Fulana"... 
Em pensar que no Brasil a gente, já barbado, chama até a moça do cachorro-quente que nunca vimos na vida de Tia.

E vocês, gostaram de todas as "coisas novas" que as escolas daqui tem? Curtiram de cara ou estranharam um pouco de início, assim como eu? 
Tiraram de letra? 
Me contem aí.


quinta-feira, 1 de março de 2018

Morar no exterior: prepare-se para a Saudade. Ou não.

março 01, 2018 0 Comments



Não, nem tudo são flores na vida de quem decidiu morar fora do país. 

Aproveitando o gancho de uma campanha bem legal no instagram, que eu já estou participando lá, chamada #portugalnareal em que mulheres (mães em sua maioria e que moram fora do país) contam um pouco como é "a parte dificil" de se viver longe, eu vim falar aqui também um pouco a parte não tão "glamourosa" de deixar seu país e viver nas "Zeuropas".

Minha história (resumida)
Eu, primeiramente, fujo um pouco da história do sonho de viver fora do país, que ouvi e li na maioria dos relatos da camapanha. Pois é, grande parte fala que era um sonho e um planejamento de anos ter saído do país. Comigo não foi assim. Eu sempre vivi muito enraizada, viajar para fora nunca encheu meus olhos e não era uma realidade na minha vida, de verdade. Nasci, cresci quase no mesmo local (mudei algumas vezes, mas quase num ciclo, quando casei voltei a viver no mesmo lugar de quando criança). E desde então, o local mais longe que tinha viajado tinha sido  João Pessoa, na Paraíba, a terrinha de mamãe. Na minha lua de mel conheci Porto Seguro, viajei a trabalho para São Paulo e para rever uma amiga que morava por lá, e curti o Espírito Santo na casa de uma prima também. Essas foram minhas andanças. E nos meus planos de passeio só dava o Brasil (queria e quero ainda conhecer todas a praias desse mundão chamado Brasil rs).

E então você me pergunta, como cheguei aqui? 
Pois é, em um relato bem breve, eu já falo que o sonho real era do meu marido. Sim, que por dois anos martelou na minha cabeça o quanto seria vantajoso mudar de país e viver um nova vida.
No início essa história não fazia muito sentido na minha cabeça e com isso, eu empurrei para frente essa "mudança", fugia de qualquer coisa que chegasse a esse assunto.
O fato dele ser neto de português incentivava ainda mais esse desejo nele, além de trabalhar remotamente, o que facilitaria viver em qualquer lugar desse mundo e ainda ter uma renda certa. Ainda assim parecia tudo muito arriscado e radical para mim.
Mas a verdade é que o tempo passava e essa história estava cada dia mais real nas nossas vidas e eu, começava a perceber que poderia ser uma boa escolha para nós.
Sem falar que  a situação no Rio de Janeiro, cidade em que morávamos, estava cada dia mais caótica. (Eu nunca pensei que pudesse piorar mais), o que só nos empurrava para isso tudo acontecer.
 E então, num belo dia (rsrs), eu resolvi acreditar, apostar nessa "novidade" e aceitei o desafio, caindo de paraquedas numa nova dimensão, chamada morar fora do país.
Foi tudo tão rápido que as vezes ainda acordo e penso "caraca, eu to aqui mesmo". SÉRIO. rs

Os dias até o "grande momento"
Minha ficha demorou a cair. Nem mesmo a ida do meu marido, que veio primeiro para cá, me fez acreditar que a mudança estava realmente prestes a acontecer.
Eu sempre acreditei que quando vou viver algo muito desafiador na minha vida eu me teletransportasse para um mundo paralelo e assim conseguia ir me adaptando para viver tal situação da melhor forma possível (hahaha, isso é  muito real para mim).
 Ahh eu disse diversos “até logo”, arrumei minha mala para uma nova vida sem ter muita noção do que viria pela frente.
 Eu vivi cada dia até a partida sem se quer pensar em como seria aqui. Parece loucura, mas as vezes eu sinto falta de umas coisas que não trouxe para cá pq eu simplesmente deixei la pq achei que não fosse usar aqui mas que é CLARO que usaria pq era para o dia a dia de uma vida normal (nesse momento eu tava em transe com certeza, minha mala era para passar dias rs).
Eu não me preparei para nada, eu simplesmente vivi o que estava previsto para mim e tenho feito isso cada dia da minha vida.
 Não sei se foi a melhor forma a se fazer, nem sei se daria certo para todos, mas o que posso afirmar é que para mim tinha que ser assim. E não me arrependo, eu agradeço até essa minha válvula de escape que usei para fugir dos momentos mais difíceis dessa escolha pq me fez ter coragem para encarar cada fase desse processo.

A mudança
A verdade é que gente enche o peito de coragem, recomeça longe de tudo e de todos que estava acostumado e vai aprendendo, já na chegada e sem muito rodeio, o significado de viver uma nova vida. E é aí que a saudade bate sem dó e faz até os mais resistentes se curvarem. 
E ela está em tudo que vem pela frente: está na música que você ouve, na foto que surge na nossa rede social, no áudio ou no vídeo (temido por mim no início e que ainda estou em processo de adaptação) do WhatsApp. Não dá para evitar, ela te acompanha no cheiro, num tempero (que não tem aqui), na roupa que você trouxe e te lembra algum momento, ela fica na bolsa para onde você vai. Aquela companheira inseparável que você vai ter que aprender a conviver. Nem que seja na marra. 

O Peso das Escolhas
O fato é que eu optei por morar fora. Eu saí e tenho que aceitar que na minha bagagem a saudade estará sempre ao meu lado e, que só cabe a mim não fazer disso meu grande fardo. Pelo menos não todos os dias.
Eu me dou o direito de ter dias que bate a bad sim mas logo no dia seguinte eu me recomponho, olho o lado positivo de tudo que já vivi por aqui e dou um passo a frente. Ah quantos aprendizados, oportunidades, e já penso no quanto eu tenho para viver ainda.  
Nessa vida, aprendi que é preciso ter sabedoria e discernimento para saber que tudo é uma fase e que tudo passa...até o dias ruins.
Viver um nova vida traz um gás novo, uma visão diferente, amplia seus horizonte mas é um batalha emocional sem fim. 

Respira e Vai!
Se eu disser que vai ser super tranquilo lidar com isso, não é verdade, mas somos nós que decidimos como conviver com nossas escolhas. E se essa foi a sua é importante encarar que isso é a vida, cheia de coisas boas e ruins. Estando longe ou perto. 
Aqui eu reclamo, sinto falta, me questiono...mas quando estava perto eu  fazia a mesma coisa. Faz parte. Esses momentos sempre virão e o jeito é aprender a lidar da melhor forma. Um dia de cada vez... um passo a mais. 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Como é alugar casa em Portugal

fevereiro 20, 2018 0 Comments

Em Novembro do ano passado, fizemos nossa primeira mudança em terras lusitanas e só agora, depois de três meses morando aqui que conheci um pouco melhor dos arredores e também pude curtir a casa nova.  
A nossa mudança aconteceu tão rápido que as vezes nem acredito que conseguimos em uma semana empacotar tudo, levar para o apartamento novo e já começar a morar. E ainda deixamos a casa "ajeitada"  para a chegada dos meus pais, minha irmã e meu cunhada, que viriam nos visitar naquela mesma época. Nem acredito que deu tudo certo. Sério! (rs)

E nesse clima de mudança, que só agora tenho sentido de fato, eu aproveito para contar aqui um pouco sobre os processos burocráticos (ou não) na hora de arrendar (alugar) um imóvel aqui em Braga e para falar algumas curiosidades que aprendi durante esse período.
 Por fim, conto um pouquinho do que achei dos dois locais que morei.  Quem sabe ajudo de alguma forma quem ainda está na dúvida de onde ficar.

Como arrendar (alugar) um apartamento em Braga?
Alugar um apartamento é a principal e mais "dolorosa" tarefa por aqui (ou no mundo mesmo rs). Principalmente quando se é estrangeiro. Sim, eu sei que soa preconceituoso e que não se deve generalizar, mas a verdade é que muitos corretores ou o próprio dono do imóvel, só de perceber o sotaque diferente dificulta muito o processo para conseguir o arrendamento (alugar o local). 
Acredite, tem de tudo: pedem muito mais documentos que o necessário,  te cobram renda de mais de 6 meses até 1 ano (aluguéis adiantados), sem falar que o valor do aluguel pode ficar mais caro do que o anunciado, assim como um passe de mágica. Máaagica! 
Não são todos,claro, mas você pode encontrar coisas desse tipo com uma certa facilidade sim e é sempre bom está preparado para perceber que em todo lugar existem os seres sem luz e que usam de má fé, mas que não podem te fazer desanimar e desistir. Dá mole não!
O jeito é pesquisar beeeem, ter paciência nas procuras e muita disposição para correr atrás e achar o seu cantinho. Pq sim,você vai achar!
Mas uma coisa é certa é bom vir com algum dinheiro guardado e se planejar bem. SEMPRE!

Documentos necessários para alugar imóvel:
Seja alugando direto com o senhorio (proprietário) ou através de alguma imobiliária, é necessário:
- Documento de identificação (Passaporte, cartão de residência ou cartão cidadão)
- NIF (número do contribuinte) – equivalente ao CPF do Brasil.
- Dois aluguéis de adiantamento, sendo que um é o primeiro aluguel e o outro é o último aluguel que fica de garantia
- Um contrato de trabalho, ou algo que comprove seus meios de subsistência
- Na maior parte das vezes pedem um fiador, que em alguns casos pode ser substituído por mais um aluguel de adiantamento.

T0, T1, T2… oi?
Na hora de procurar um imóvel, é importante conhecer algumas siglas e denominações. Aqui em Portugal, por exemplo, os apartamentos de 1, 2 ou mais quartos são descritos pela letra "T". Sendo assim, um T1 se trata de um apartamento com 1 dormitório e por aí vai. Já o T0 poder ser considerado a nossa quitinete. Tem ainda o "T1+1", que quer dizer que há 1 quarto e mais uma dependência menor, que pode ser um escritório ou o “quartinho de empregada”. 

Mais curiosidades: 
Aqui ainda existem outras nomeações que não estamos acostumados a ouvir na hora de escolher um imóvel, que é:
Cave: Esse é mais comum em Lisboa, aqui em Braga é difícil de ver. São prédios mais antigos, que possuem andares subterrâneos do prédio. A cave fica um pouco abaixo do nível da rua. Apesar de serem apartamentos mais baratos, muitas pessoas não recomendam pois elas costumam ser bem úmidas, frias e escuras.  Ponto fraco disso é que com cômodos menos luminosos, os gastos na conta de luz são bem mais altos, sem falar que locais que não batem sol formam mofo.
R/C – Rés do chão: O rés do chão é um andar que não chega a ser o primeiro, mas já está um pouco mais alto do que o nível da rua. Pode ser o nosso térreo.

Há também diversas opções de casas para alugar também: com contas inclusas (água, luz e condomínio), sem mobília, com mobília e equipada (utensílios de cozinha, roupa de cama, etc). Claro que tudo isso pode influenciar no preço do imóvel, mas muitas vezes acaba compensando por ser mais prático, principalmente para quem vem estudar ou só para evitar aquelas mil compras de objetos para casa.
Se optar por alugar um imóvel vazio é comum encontrar ainda os termos “cozinha equipada” ou “cozinha semi-equipada”, que quer dizer que o apartamento (ou casa) pode conter frigorífico (geladeira), placa (espécie de cooktop), máquina de lavar roupas, louça e forno elétrico. Em muitos casos, eles também vem com um aparelho chamado “esquentador”, que pode ser a gás ou elétrico, que abastece o chuveiro e a placa da cozinha. No nosso primeiro apartamento já vinha também com o ar-condicionado (que servia para o verão e aquecia no inverno).

Freguesias (bairros) que morei  
Dois locais bem diferentes, com seus pontos fortes e pontos fracos (na minha humilde opinião).

São Victor - É um bairro bem conhecido,  mais "central" e "bem urbano" . O ponto positivo é que fica próximo de tudo:  shopping, cafés, do Centro. Se você vem morar em Braga e vem pensando em estudar, ou é jovem  e está em busca de agito, esse é o melhor lugar pois fica próximo da Universidade do Minho e é cercado de bares e restaurantes. Nele também tem uma concentração muito grande de Brasileiros, o que torna mais fácil a sociabilidade (ou não rs).
 É um local bem cheio e as vezes muito barulhento (rsrs). Eu confesso que até curtia essa movimentação pelas ruas e a proximidade de comércio mas por outro lado surgia os pontos negativos com todo esse "excesso" , que eram ruas mais sujas, menos cuidadas e com excesso de carros para todo o lado. Essa última era bem complicada, pois a simples missão de achar uma vaga para estacionar se tornava uma luta e as vezes levava horas, sem falar na quantidade de carro estacionado em locais proibidos, que dificultava muitas vezes andar pelas calçadas. 

Lomar  - É completamente o oposto, o que de início me deu um certo estranhamento. É um lugar mais pacato, me parece com um "Portugal mais tradicional", dos que via em filmes, do jeito que eu imaginava ser antes de vir para cá (rsrs).  Aqui é mais frequente as ruas de pedras, algumas vivendas, as muralhas e casas antigas (não velhas), dando um ar mais bucólico. É um local mais quieto e (para mim) mais aconchegante, apesar de as vezes sentir falta de ver gente e ir andando ao shopping (rs). 

A MUDANÇA - Saímos de um apartamento no 8º andar para um térreo e com garagem. Duas mudanças que fizeram a diferença para nós. PQ? O primeiro pq depois do nosso gato cair da janela (e sobreviver rs), a altura do ap era uma das coisas que mais nos incomodava e preocupava. Além disso  e principal, temos um filho de 5 anos e com criança pequena, morar em lugar alto era motivo de susto por nada. Era só não tê-lo a vista para o coração saltar.  E a garagem? Bem, para mim garagem deixou de ser "artigo" de luxo quando o frio chegou e eu ouvia meu miúdo reclamando que a mão dele tava congelando no caminho da nossa casa até aonde o carro estava estacionado. As vezes não conseguíamos estacionar na nossa rua, e esse caminho ficava ainda mais longo e sofrido tmb. Mesmo de luva, touca, armadura....rs
( Entao pra finalizar, eu deixo essa  dica importante para quando se está procurando imóvel para alugar: veja se existe um número muito grande de prédios em volta, pq o número de "vizinhança" é quase proporcional ao de carros que vai competir com vc  na hora de achar uma vaga na sua rua. Sim, pq uma coisa que descobri aqui é que português pode ter garagem mas ele gosta mesmo é de estacionar na rua. Ah, e Brasileiro tmb rsrsrrs. )

  


↠ Guia para visitar  Porto em 2 dias
http://bit.ly/2GpUi4g
↠ Mudei para Portugal. E agora??!!
Um guia prático, direto e simples para você que decidiu morar legalmente em Portugal, chegou em terras lusitanas e não sabe por onde começar os trâmites burocráticos.
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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

10 coisas que aprendi morando fora do país

fevereiro 15, 2018 0 Comments

Nesse mês de fevereiro, completei 10 meses morando fora do Brasil. Pra mim parece que já faz uma eternidade. Não sei como explicar como o tempo passa tão rápido e nem percebemos.
Mas bem, a verdade é que é impossível viver essa experiência de morar fora, com suas vantagens e desvantagens, e não passar por muitas transformações. Nessa caminhada longe, uma simples convivência nos ensina um monte de coisa e a sensação é de que há sempre mais por vir.

Morar fora é um aprendizado constante e é por isso que resolvi publicar hoje 10 coisas que aprendi com a minha decisão de vir morar em Portugal.

1) Aprendi a viver minha vida. Já tinha ouvido dizer que não existe nada melhor do que sairmos da nossa zona de conforto ( viver na mesma cidade, bairro desde pequeno, perto dos amigos, da família), para crescermos de verdade. Comigo foi bem assim. No Brasil estava sempre rodeada de gente, tinha ajuda por todo lado, não precisava me preocupar com algumas coisas e deixava muita vezes o controle do que deveria ser feito por mim nas mãos de outras pessoas. Sair da "bolha" te faz perceber que temos muito que aprender, a fazer por nós, a quebrar a cara, e que o "se virar sozinho" é de fato SO-ZI-NHO. E que isso é bom e faz bem. Ah e ensina muito.

2) Aprendi a desacelerar. No Brasil, eu tinha pressa para tudo. Nunca gostei de esperar: eu como correndo (mesmo não tendo nada para fazer depois), falo e ando rápido e sempre tive muitas impaciência quando o atendimento em algum lugar era demorado. Até vir para cá e perceber que o ritmo de vida é outro. Sim, o garçom as vezes demora cinco minutos pra vir atender mesmo, outros cinco pra trazer o café, mais cinco para trazer a conta e nem sempre é mal atendimento. O-K! Respira e curte o momento. ( Ta bem, desacelerar ainda é um aprendizado para mim.)

3) Saber dar tempo ao tempo. Olha ele aí de novo (TEM-PO).Como falei no item acima, a pressa sempre me acompanhou. Além do corre-corre do dia a dia, eu tenho pressa de fazer e acontecer. Preciso ter tantos objetivos pessoais completos para ontem, mas morar no exterior me fez revisar conceitos e expectativas. Nem tudo é tão rápido quanto a gente gostaria. Prioridades precisam ser prioridades mesmo. Ao mudar de país, a vida tem uma espécie de corte, tudo é um começar do zero.
É preciso acreditar no destino e ter uma dose extra de paciência para aceitar que nossas exigências não vão ser cumpridas no tempo previsto (por nós) e confiar que as coisas aos poucos vão se encaixando de um modo que tenha sentido.

4) Dinheiro não é tudo. Claro que muita gente vai dizer que é fácil falar que dinheiro não importa tanto quando se tem saúde e educação gratuitas e de qualidade. Mas é aí que tuuudo faz diferença. Esse é o ponto que mais te deixa tranquilo quanto a viver com o suficiente para ter uma vida mais calma e com capacidade para aproveitar mais e o melhor dela.
Aqui, por exemplo, há muitas atividades culturais gratuitas e há parques e diversas iniciativas que acontecem nas ruas ou em espaços fechados, mas ainda assim acessíveis.
Não tem aquele excesso de ostentação que estava acostumada a ver no Brasil, principalmente com que mal tinha dinheiro. A sensação que tenho é de que lá trabalhamos e nos estressamos tanto, mas tanto que temos que usar o dinheiro da forma mais "atrativa", o que vira consequentemente uma ostentação sem freio. Tem que se ter dinheiro para ir no melhor restaurante, na balada do momento, ter o celular que acabou de lançar e etc. Aqui, a ideia de felicidade está muito mais relacionada a coisas simples, como um dia de sol no parque (principalmente quando se tem tanto frio rs), um café no fim da tarde, poder comprar aquele vinhozinho (de 2 euritos) para degustar e curtir muita, muitas atividades pela cidade.

5) Aprendi a ser mais confiante. Morar fora do nosso país é um teste diário de confiança. Nos vemos em situações na qual tiramos força e coragem que não sabemos de onde. Para mim tem sido um degrau de cada vez para muitas coisas.  Tem o medo do novo e do desconhecido, a falta daquela "ajudinha" familiar, são tantas coisas. Os desafios chegam e é preciso encarar e entender então que querer é poder. Muitas das vezes precisei me redefinir. Tanto nas relações, como comigo mesma. Além disso aprendi a me preocupar menos com que os outros pensam de mim.

6) Estrangeiro é estrangeiro e sempre será. Não importa o que seu documento diga, quantos direitos iguais vc tem com os nativos do país, você não nasceu aqui e trás(para sempre) algo do seu país de nascença que vai te "diferenciar" deles, nem que seja aquele leve sotaque rs. E isso não precisa ser algo negativo, mas sim acrescentado para a convivência. Pq levar a a mal caso se refiram a você como a "brasileira", a "portuguesa", a "japonesa"?! Na loja que trabalhei eu era a única brasileira, e toda vez que queriam lembrar da vendedora aqui era a primeira coisa que se falava "ahh a Brasileira". Ora, é tão óbvio e tão prático tmb. É claro que existe a forma pejorativa da palavra mas nesse aspecto o melhor é ignorar mesmo.

7) Aprendi a ser mais tolerante e mente aberta. Conviver com outras culturas exige, mais do que nada, respeito mútuo. O que é valorizado numa cultura pode ser ignorado em outra. E isso é muito bom pra perceber que o valor das coisas é relativo. Mas criticar é sempre mais fácil, já que tentar entender exige tempo e mente aberta.O choque cultural vai acontecer diversas vezes. Prepare-se. A comida é diferente, as piadas, as referências culturais, tudo é bem diferente. As pessoas com quem convive agora não cresceram vendo os mesmos programas que você, o Faustão ou o Sílvio Santos não são os alvos de chacotas e reclamações dele - e isso faz muita falta na hora de conversar.

8) Misturar línguas é normal. Sempre achei que isso era frescura de quem morava fora um tempo e queria se mostrar, mas não é! hahahaha. Cada vez me vejo “cheia” de expressões e palavras que uso diariamente no português de Portugal. Falo os dois ao mesmo tempo:  tem dias que falo mais com o jeito daqui, outro dia ja to toda patriota. Em menos de 2 minutos eu peço para pegar meu "celular" e logo depois peço para colocar o "telemóvel" no lugar de novo. Uma bagunça total!

9) Eu tenho que me adaptar ao mundo, não o mundo a mim. Pois é, eu estava acostumada a ir sempre no mesmo mercado perto da minha casa, com tudo que conhecia e sempre comprava e em um belo dia eu entro e tá tudo diferente, as embalagens, as marcas, o tipo de comida, as pessoas, o dinheiroooo… haja informação!! Como assim aqui não tem nescau, não tem fandangos, linguiça calabresaaa...vou morreeeeer! Opa, pera, é outro país. O que eu esperava? Um Brasil dentro de Portugal só pq eu to aqui?? Ele não tem que mudar pq eu cheguei, eu preciso mudar e me adaptar pq resolvi está aqui. Sim, eu sei, é um grande exercício de desapego (mas ta aí algo que estamos acostumados a fazer depois que se resolve sair pra conhecer o mundo), você sente falta de coisas que nem imaginava que iria sentir falta algum dia. Mas não tem jeito, faz parte da adaptação do mundo que você escolher viver.
10) Ter orgulho das minhas origens. Normalmente, quando falo que sou brasileira, as pessoas me tratam muito bem,  além de me perguntarem as coisas básicas do Brasil (Copacabana, novelas,carnaval, violência). Mas o bacana é que a recepção aos brasileiros costuma ser positiva sim. E eu fico muito orgulhosa. Sei que o meu país está longe de ser perfeito e eu reclamo muito dele tmb, antes mesmo deles falarem ja to listando tudo de ruim rsrs
Mas a verdade é que nunca pensei que fosse me sentir tão emocionada ao ouvir uma música que faz lembrar o país, um costume, uma gíria, um sotaque na rua. Todo povo tem os seus encantos e você vai descobrir muitos nas pessoas que agora vão ser os seus novos amigos e colegas. Mas aquele gostinho de saudade, empatia e amor pelos nossos vai ser sempre maior do que tudo que fizemos por aqui.

Agora eu quero saber de você que mora no exterior: concorda com algum ponto? O que mais aprenderam por aí?


↠ Guia para visitar  Porto em 2 dias
http://bit.ly/2GpUi4g
↠ Mudei para Portugal. E agora??!!
Um guia prático, direto e simples para você que decidiu morar legalmente em Portugal, chegou em terras lusitanas e não sabe por onde começar os trâmites burocráticos.
http://bit.ly/2FgUFyo